Victoria Jones/Pool via AP
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Ao Parlamento, Johnson diz que termos do Brexit negociado por May são inaceitáveis

Líder, que tomou posse como primeiro-ministro na quarta-feira, enfatizou que prefere deixar a UE com um acordo

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 11h00

LONDRES - O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, apresentou nesta quinta-feira suas condições para um novo acordo de saída de seu país da União Europeia, imediatamente consideradas “inaceitáveis” pelo negociador europeu, Michel Barnier, criando a primeira crise entre Bruxelas e o novo governo do Reino Unido. 

Em seu primeiro discurso ao Parlamento, o novo premiê britânico usou o mesmo termo ao se referir aos pontos do acordo negociado antes por sua antecessora, Theresa May. Ele pediu a Bruxelas que reveja o texto. Johnson, que se cercou de aliados eurocéticos no gabinete, exigiu o fim do “backstop”, mecanismo criado para evitar uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. O restabelecimento de postos de controle violaria o acordo de paz de 1998 e ameaça ressuscitar um conflito sectário traumático para os irlandeses.

 

Ao assumir o cargo, na quarta-feira, Johnson preparou o Reino Unido para um confronto com a UE, prometendo negociar um novo acordo do Brexit e ameaçando que, se o bloco se recusar, ele vai tirar o país sem um pacto no dia 31 de outubro.

“Inaceitável”, respondeu Barnier, utilizando o mesmo vocabulário de Johnson. “Uma falta de acordo nunca será a opção da UE, mas devemos estar preparados para todos os cenários.”

Em conversa por telefone com o premiê britânico, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que está deixando o cargo, reiterou a Johnson que o acordo concluído em novembro com May é o “melhor e único” pacto possível.

Os dirigentes da UE vêm repetindo que não reabrirão o acordo de saída concluído com May, que se viu forçada a renunciar após o texto ser rejeitado pelos deputados britânicos, incluindo conservadores, em três ocasiões. 

Em seu discurso inaugural, Boris Johnson prometeu que o Brexit tornará o Reino Unido o melhor lugar do mundo, ecoando a retórica patriótica do presidente dos EUA, Donald Trump. O primeiro-ministro, que foi saudado por Trump como sua versão britânica, prometeu que o divórcio da UE vai energizar a quinta maior economia mundial. “Vamos fazer deste país o melhor lugar do mundo.”

Johnson garantiu que não estava sendo exagerado e afirmou que o Reino Unido poderá ser a economia mais próspera da Europa até 2050, um feito que significaria superar França e Alemanha. “Nossos filhos e netos viverão mais felizes, gozando de melhor saúde e mais ricos”, afirmou.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal legenda de oposição no Parlamento britânico, denunciou logo depois um “governo de extrema direita” e advertiu que os trabalhistas se oporão a qualquer acordo do Brexit que não proteja o emprego, os direitos dos trabalhadores britânicos e o meio ambiente.

Convocada por Corbyn, uma manifestação ontem à tarde em Londres pediu eleições legislativas antecipadas, lembrando que Johnson foi eleito apenas pelos militantes do Partido Conservador e não representa todos os britânicos.  / AFP, EFE, AP e REUTERS

 

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