Aos 25 do massacre de Tiananmen, China detém ativistas

Pelo menos 21 pessoas já foram presas por tentarem organizar atos em memória da matança da Praça da Paz Celestial

Felipe Corazza,

31 Maio 2014 | 06h01

 

Às 21 horas do dia 3 de junho de 1989, o segundo secretário da Embaixada do Chile em Pequim, Ricardo Gallo, recebeu a missão de buscar seu embaixador num restaurante do lado oeste da capital chinesa e trazê-lo para casa. Pouco antes, as tropas do Exército de Libertação Popular, sob as ordens do governo central chinês, começavam as operações para reprimir os cerca de 300 mil civis que protestavam na Praça da Paz Celestial exigindo maior abertura e democracia no país. 

O saldo, o Massacre de Tiananmen , nunca foi totalmente confirmado. Os relatos sobre o número de mortes entre a madrugada e a manhã do dia 4 vão das centenas aos milhares. 

Gallo cumpriu sua missão de buscar o embaixador e deixá-lo em segurança no território chileno da embaixada, no bairro de Sanlitun. Movido pela curiosidade, no entanto, o segundo secretário e sua mulher foram à praça e conseguiram abrigo em uma tenda montada pela Cruz Vermelha.

Dali, o diplomata testemunhou os ataques das tropas. Na manhã seguinte, voltando à ruela que liga a praça aos fundos do Museu Nacional da China, Gallo viu helicópteros levando sacos plásticos recheados de corpos. O relato do diplomata chileno foi registrado pela embaixada dos Estados Unidos em Pequim mais de um mês depois, em um comunicado enviado a Washington no dia 12 de julho. O documento foi revelado pelo WikiLeaks.

25 anos depois, a concentração de manifestantes na praça e o massacre que se seguiu continua a assombrar o governo chinês, encastelado na “nova cidade proibida”, o complexo administrativo de Zhongnanhai, no centro da capital. Nas últimas semanas, dezenas de ativistas foram detidos ou formalmente presos por convocarem ou participarem de eventos clandestinos para rememorar a data. 

Segundo a Anistia Internacional, pelo menos 21 advogados, intelectuais, religiosos e jornalistas foram levados pela polícia ou interrogados e dispensados desde o dia 06. Ontem, mais dois casos foram relatados. Wang Aizhong, ativista e fundador do Movimento Rua Sul foi detido na cidade de Guangzhou por planejar “distúrbios”, segundo seus advogados. Integrantes do grupo dissidente chegaram a protestar nas ruas na semana passada levando cartazes exigindo abertura política, mas também foram levados por policiais. 

Em outro episódio, o acadêmico taiwanês Tseng Chien-yuan foi impedido pelas autoridades de entrar em Hong Kong. Segundo a polícia, ele pretendia participar de “atividades contra a ordem social”. Tseng pretendia, segundo ele próprio, debater os eventos de 1989 em um simpósio.

“Não sou político, não sou uma ameaça à segurança, não sou um terrorista”, afirmou Tseng à agência Associated Press.

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