Reuters/Marco Bello
Reuters/Marco Bello

Apagão deixa 80% da capital da Venezuela sem luz e leva caos a Caracas

Uma falha no sistema de fornecimento de energia de Caracas durou pelo menos quatro horas, impediu atendimentos hospitalares e obrigou o fechamento do metrô e de parte do comércio

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 16h08

Um apagão deixou 80% de Caracas sem luz por mais de quatro horas nesta terça-feira, 31. A falta de luz impediu atendimentos hospitalares de urgência, obrigou o metrô da capital da Venezuela, que atende dois milhões de pessoas por dia, a fechar, e forçou o comércio a baixar as portas em quase toda a cidade. Deputados de oposição denunciaram ao jornal El Nacional que ao menos 20 cidades na Grande Caracas ficaram sem energia.

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O governo venezuelano afirma que o fornecimento de energia está sendo restabelecido. "Já se recuperou 90% do serviço em Caracas, continuamos trabalhando para recuperar 100%. Foram relatadas fortes chuvas no estado onde está a origem da falha", anunciou pelo Twitter o ministro da Energia Elétrica, Luis Motta.

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O corte atingiu, segundo o ministro, 80% da capital venezuelana. A falha se originou na subestação de Santa Teresa, no estado de Miranda e Vargas, no norte do país, além do aeroporto de Maiquetía, que atende à capital, durante 50 minutos. 

"Ficamos parados na Imigração por cerca de uma hora. Não tinha sinal de telefone, ou Internet", disse à AFP Estefanía Freire, que esperava para embarcar em um voo internacional em Maiquetía. 

Embora o ministro não tenha dado detalhes de outros estados, deputados opositores e jornais locais informaram que áreas de Vargas, Miranda e Aragua também ficaram sem luz. Segundo o jornal "El Nacional", 20 municípios da Grande Caracas estão sem energia.

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O apagão provocou engarrafamentos, devido ao mau funcionamento de semáforos. O metrô de Caracas também parou, além dos serviços intermitentes de telefonia celular e Internet.

Esses cortes no fornecimento de energia elétrica são frequentes na Venezuela, sobretudo, no interior. Em vários estados do oeste, como o petroleiro Zulia, aplica-se um racionamento diário que chega a durar 12 horas. 

O governo atribui os apagões a "sabotagens" de seus adversários para criar descontentamento popular, enquanto a oposição os vincula à deterioração da infraestrutura, devido à falta de investimento, imperícia e corrupção.

Em Caracas, os apagões são menos frequentes, mas, entre dezembro e fevereiro passado, foram registrados alguns que se prolongaram por três a cinco  horas. / AFP

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