Apagão na Índia deixa 620 milhões sem luz

Maior blecaute da história afeta 22 dos 28 Estados e metade dos habitantes do país, o que corresponde a 10% da população mundial

NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2012 | 03h03

A Índia sofreu ontem o maior apagão da história, que deixou 620 milhões de pessoas sem luz - a metade dos habitantes do país e 10% da população mundial. Pelo menos três redes de distribuição de energia entraram em colapso, afetando cerca de 22 dos 28 Estados do norte e do leste do país.

O segundo blecaute nas últimas 48 horas causou constrangimento para o governo, mas nem tanto para os indianos, já habituados ao caos energético. Cerca de 300 milhões de pessoas não têm acesso contínuo à energia elétrica na Índia. Apagões localizados são rotina. É comum as pessoas continuarem a jantar normalmente quando as luzes piscam em restaurantes de grandes cidades do país. No gigantesco Safdarjung Hospital, em Nova Délhi, os médicos circulam sem susto por corredores escuros ocupados por pacientes. Há tantos geradores a diesel que, para a maioria das pessoas, a vida segue normalmente em grandes empresas, hotéis e aeroportos.

O novo blecaute, no entanto, foi incomum em seu alcance, porque se estendeu da fronteira com Mianmar até o Paquistão, por cerca de 3 mil quilômetros de distância. O apagão, que começou às 13 horas locais (4h30 de Brasília), deixou centenas de mineiros presos em Burdwan, 180 quilômetros a noroeste de Calcutá, onde as minas são operadas pela empresa estatal Eastern Coalfields. Autoridades locais aguardavam o restabelecimento da energia para acionar elevadores subterrâneos.

Segundo Niladri Roy, diretor-geral da estatal, os mineiros foram orientados a ir para um local com melhor ventilação, enquanto as equipes de resgate tentam lhes enviar alimento e água.

A falha "sem precedentes", como definiu o ministro da Energia, Sushilkumar Shinde, ocorreu um dia depois de um problema parecido, que deixou quase 400 milhões sem luz na segunda-feira. Os seguidos blecautes causam preocupações com relação à infraestrutura desatualizada da Índia e à falta de habilidade do governo para garantir o crescimento econômico e expandir a matriz energética indiana.

Shinde afirmou que a falha ocorreu porque "os Estados ultrapassaram sua capacidade de oferta", causando um efeito dominó. O apagão também prejudicou o serviço de trens no norte e no leste do país. / REUTERS e AP

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