REUTERS/Christian Veron
REUTERS/Christian Veron

Apagões e racionamento atingem ao menos seis Estados na Venezuela

Governo corta luz em seis Estado do oeste do país, mas moradores dizem que situação é pior do que o anunciado

O Estado de S.Paulo

17 Março 2018 | 12h00

CARACAS - O governo da Venezuela impôs nesta semana racionamento de energia elétrica em seis dos 24 Estados do país. Os mais afetados ficam próximos à fronteira com a Colômbia, em virtude da falta de chuvas nas principais hidrelétricas venezuelanas.

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Oficialmente, os cortes de quatro horas diárias começaram na quinta-feira, mas muitos moradores da região ironizaram o governo ao dizer que a falta de luz é recorrente em virtude da infraestrutura ruim do setor. 

“Hoje (sexta-feira) não tivemos luz por 14 horas. No outro dia, por seis horas”, disse Ligthia Marrero, moradora da capital de Táchira, San Cristóbal. 

O setor elétrico venezuelano, que foi nacionalizado pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013), sofre com falta de manutenção e problemas de infraestrutura há anos e cortes de luz são recorrentes no país, especialmente em cidades menores. Quando as chuvas diminuem, como é o caso deste ano, os racionamentos aumentam. 

A crise elétrica no país se soma ao caos hiperinflacionário e à escassez generalizada de alimentos e remédios, que tem se agravado desde que o presidente Nicolás Maduro chegou ao poder, em 2013. A crise provocou a emigração em massa de centenas de milhares de venezuelanos para outros países da América do Sul, principalmente Colômbia e Brasil. 

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Em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, além da crise provocada pela chegada de refugiados, o colapso do setor elétrico venezuelano também se tornou um problema. 

Único Estado brasileiro que não é ligado ao Sistema Integrado Nacional (SIN) de energia, Roraima depende da importação de luz venezuelana para não ficar no escuro. Desde o ano passado, os apagões também têm se tornado frequentes na região, com faltas de luz que chegam a até 84 horas por mês. 

Fuga

Ao menos 58 detentos fugiram na noite de sexta-feira de um presídio na Ilha de Margarita, um dos principais pontos turísticos da venezuela. Segundo uma fonte do Exército, os presidiários fugiram por um buraco que abriram no muro da penitenciária.

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Até a manhã de ontem, apenas quatro fugitivos tinham sido recapturados. Segundo autoridades prisionais, o buraco tinha 60 centímetros de altura por 40 de largura. ONGs que monitoram as cadeias venezuelanas dizem que os presídios do país têm uma lotação em média 400% maior que a sua capacidade. Margarita tem 

676 mil habitantes./REUTERS e AFP

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