Apec se declara contra protecionismo; impulsiona Rodada de Doha

O avanço do protecionismo é uma ameaça para a recuperação econômica global e por isso deve ser combatido, disse na quarta-feira o fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na sigla em inglês).

HARRY SUHARTONO E KEVIN YAO, REUTERS

22 de julho de 2009 | 09h28

Reunidos em Cingapura, os ministros de Comércio do grupo decidiram também intensificar a busca por um acordo até 2010 na chamada Rodada Doha da liberalização comercial global, considerada uma forma de ajudar o mundo a superar a sua pior crise econômica das últimas décadas.

"Se o protecionismo não for controlado, isso pode ser um forte revés para as nossas perspectivas de crescimento", disse a jornalistas o ministro do Comércio de Cingapura, Lim Hng Kiang, que presidiu o evento de dois dias.

Autoridades comerciais presentes mostraram-se cautelosamente otimistas com suas perspectivas exportadoras. A China, possível esteio da ainda tímida recuperação global, disse que o declínio das suas exportações pode ser atenuado no segundo semestre.

"Em geral, a economia da China está se estabilizando e melhorando. Quanto às exportações no segundo semestre, temos de examinar a situação econômica global", disse o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, a jornalistas.

Também presente ao encontro, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, disse que "o protecionismo não protege" as economias nacionais.

Alguns membros da Apec criticaram durante o evento as campanhas dos governos - inclusive dos EUA - para estimular o consumo de produtos locais, pois isso estariam afetando as exportações, segundo relato do ministro tailandês do Comércio.

Mas o representante comercial dos EUA, Ron Kirk, disse a jornalistas que a campanha "Buy American" ("compre produtos norte-americanos"), incorporada num recente pacote de estímulo econômico, não viola as regras da Organização Mundial do Comércio.

"Gostaríamos de ter uma política comercial robusta, a qual o povo norte-americano acredite que opere justamente em seu favor, e não só em prol dos interesses de um setor ..., e também que proteja os direitos dos trabalhadores que nos ajudam a implementar o objetivo número 1 do presidente (Barack Obama), que é devolver os norte-americanos ao trabalho", disse Kirk.

A posição dos EUA com relação ao programa "Buy American" parece contradizer a declaração final do encontro da Apec. O bloco de 21 países, que inclui EUA, China, Rússia e Japão, toma decisões por consenso, mas seus compromissos não são de caráter obrigatório.

O próximo passo nas discussões da Rodada Doha deve ser a cúpula do G20 (países ricos e emergentes) em setembro em Pittsburgh (EUA). O G8 (bloco de países desenvolvidos) decidiu neste mês buscar uma conclusão da Rodada Doha até 2010.

(Reportagem adicional de Kazunori Takada, Nopporn Wong-Anan, Kevin Lim e Kash Cheong)

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