Alex Brandon/AP
Alex Brandon/AP

Apelo 'machão' de Trump atrai voto de latinos

Hispânicos se identificam com jeito enérgico, intransigência e autoconfiança do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 05h00

Eles lotaram a sala para aclamar um herói. A multidão gritava o nome de Henry Cejudo, medalhista olímpico, filho de imigrantes ilegais do México que se tornou uma superestrela das artes marciais. Mas, na realidade, elas estavam ali para celebrar Donald Trump.

Usando bonés de campanha, vários homens erguiam bandeiras americanas ao lado de cartazes com a inscrição “Latinos por Trump”. Os homens são a base do presidente. Nas pesquisas, as diferenças de gênero existem em todas as camadas demográficas. E pouco desse apoio mudou depois que Trump anunciou ter covid. Se os números se confirmarem, eleição pode resultar na maior disparidade de gênero desde a aprovação da 19.ª Emenda – que permitiu o voto feminino, há um século.

Mas quem são os quase 30% de eleitores hispânicos que apoiam Trump, apesar da sua retórica anti-imigração? Não existe uma única resposta. Ele tem apoio dos exilados cubanos e venezuelanos da Flórida, que apreciam sua retórica anticomunista. E sua campanha tem cortejado os latinos evangélicos. 

Mas nenhum grupo preocupa mais os democratas do que os latinos nascidos nos EUA com menos de 45 anos, que desconfiam de Joe Biden. O que tem afastado os eleitores do democrata é a atração que o comportamento machista de Trump exerce sobre eles, indicam entrevistas feitas com latinos que apoiam o presidente. 

Trump é enérgico, rico e segue sempre de cabeça erguida. “Sinto-me poderoso”, declarou o presidente em comício na Flórida, na segunda-feira, que terminou com a música Macho Man, do Village People.

Paul Ollarsaba, de 41 anos, votou nele em 2016, seduzido pelo compromisso de Trump com o Exército. “Sou mexicano”, disse Ollarsaba, que durante anos achou que tinha de votar nos democratas. Quando começou a apoiar Trump, foi banido pela família. “As pessoas temem dizer que apoiam o presidente.”

Cejudo não tem esse medo. Quando Trump fez campanha em Nevada, no mês passado, ele se uniu a vários lutadores de artes marciais que apoiam a campanha. “Sou fã dele”, disse o lutador, de 31 anos, lembrando que assistia ao programa O Aprendiz na escola. “Precisamos de alguém assim para dirigir o país.”

Outros latinos que participaram do evento também disseram que gostam do estilo enérgico de Trump, de sua confiança. Em entrevistas, eles falam que a resistência do presidente às orientações médicas não é sinal de fraqueza, mas de um homem que toma as próprias decisões. O desdém pelas máscara é demonstração de força. As interrupções durante o debate com Biden, o uso eficaz de seu poder.

Alguns democratas concordam que o apoio a Trump é exemplo de uma cultura machista, de veneração dos papéis de gênero e uma espécie de hipermasculinidade. Mas a admiração também revela algo mais profundo. Estrategistas democratas que monitoram o voto hispânico afirmam que os latinos dão mais importância à economia – e estão menos preocupados com imigração e racismo. 

“Na comunidade latina, você é definido pela sua capacidade de prover”, afirmou Tomás Robles, diretor do grupo Lucha, que faz campanha para Biden no Arizona. “As pessoas que vivem num estado perpétuo de insegurança econômica querem acreditar que alguém está fazendo coisas boas na economia.” / NYT, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

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