Apelo sueco faz com que Assange permaneça na cadeia

Um juiz britânico permitiu hoje que o fundador e editor-chefe do WikiLeaks, Julian Assange, seja libertado após o pagamento de uma fiança de 200 mil libras (US$ 316 mil), mas ele vai continuar detido por pelo menos mais dois dias em razão da apelação dos promotores suecos sobre a decisão.

AE, Agência Estado

14 de dezembro de 2010 | 20h49

Assange já passou uma semana na cadeia desde que se entregou à polícia britânica por causa de um mandato expedido pela Justiça sueca, que o acusa de crimes sexuais. Ele nega as acusações e já se recusou em ser voluntariamente extraditado para a Suécia para interrogatório.

Ao comparecer ao tribunal hoje, o australiano ouviu do juiz que seria libertado, mas menos de duas horas depois foi informado que teria de permanecer mais 48 horas detido. O Tribunal Superior britânico vai ouvir o apelo da Justiça sueca, mas ainda não se sabe quando isso vai acontecer. "Eles não vão poupar esforços para manter o senhor Assange na cadeia", disse Mark Stephens, um de seus advogados, na entrada do Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres. "Isto está realmente se tornando um julgamento-show", acrescentou.

A advogada Gemma Lindfield, que está a serviço da Suécia, pediu ao tribunal que negue a fiança a Assange, argumentando que as acusações contra ele são sérias, que ele tem laços fracos com a Grã-Bretanha e que ele tem "meios e capacidade para fugir". Lembrando ao tribunal que o fundador do WikiLeaks já foi considerado uma pessoa que poderia deixar o país, ela afirmou que nada mudou desde a semana passada para atenuar os temores do tribunal a esse respeito.

Ela também rejeitou as tentativas de ligar o caso de Assange com o trabalho do WikiLeaks, que desde o mês passado tem irritado os Estados Unidos ao publicar 250 mil telegramas diplomáticos secretos. "Este não é um caso sobre o WikiLeaks, mas um caso sobre crimes sérios contra duas mulheres", disse Lindfield ao tribunal.

Celebridades

Celebridades que estavam no tribunal - dentre elas a socialite Jemima Khan e a atriz Bianca Jagger - além de centenas de manifestantes pró-WikiLeaks que estavam fora do prédio gritaram ao saber da decisão do juiz distrital Howard Riddle de conceder fiança a Assange. De acordo com a decisão, Assange deve usar uma pulseira eletrônica, morar num endereço específico no sul da Inglaterra, reportar-se à polícia toda noite e observar dois toques de recolher de quatro horas por dia.

Na semana passada, Lindfield disse que Assange é acusado de estupro, molestamento e coerção de duas mulheres em dois incidentes separados ocorridos em agosto em Estocolmo. Segundo a advogada, as duas mulheres o acusaram de ter mantido relações sexuais sem preservativo.

Na Suécia, se uma pessoa que fizer sexo com uma outra que estiver inconsciente ou dormindo pode ser condenada por estupro e pegar até seis anos de prisão. Assange não foi formalmente acusado na Suécia. Seus advogados afirmam que o que aconteceu foi "sexo desprotegido, mas consensual". As informações são da Associated Press.

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