Apenas bombardeios não conterão EI, dizem EUA

Apenas bombardeios não conterão EI, dizem EUA

Um dia após presidente turco dar declaração semelhante, autoridades americanas dizem que ataques aéreos não serão suficientes para salvar Kobani

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2014 | 02h01

O Pentágono afirmou ontem que o uso do poderio militar aéreo - com bombardeios por dois dias consecutivos - não é suficiente para salvar a cidade síria de Kobani dos radicais do Estado Islâmico (EI). Em suas declarações, autoridades americanas pareciam se conformar com a queda de Kobani para a milícia radical, que ontem lançou uma nova ofensiva sobre a cidade.

Na Turquia, curdos indignados com o fato de o Exército turco não agir para proteger os moradores da mesma etnia em Kobani entraram em confronto com as forças oficiais e pelo menos 21 pessoas foram mortas.

O porta-voz das Forças Armadas americanas e contra-almirante John Kirby explicou que sem o envio de soldados turcos ou de outra nacionalidade, algo improvável agora, segundo ele, a batalha está resumida à atuação dos combatentes sírios curdos e aos bombardeios americanos. "Ataques aéreos, sozinhos, não vão fazer isso. Simplesmente não conseguirão salvar a cidade de Kobani", declarou Kirby. Na terça-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reconheceu que a cidade estava prestes a cair para os radicais.

Dezenas de milhares de refugiados da cidade fronteiriça deixaram a Síria para buscar proteção na Turquia, onde os deslocados sírios em razão da guerra civil já passam do 1,5 milhão. Apesar da pressão dos EUA, a Turquia tem se recusado a assumir um papel mais ativo na coalizão para combater o EI na Síria. Os líderes turcos questionam a efetividade de qualquer estratégia para combater a milícia que não envolva a queda do regime de Bashar Assad.

Ancara também reivindica a criação de uma área de exclusão aérea e uma zona tampão dentro da Síria, pedido sobre o qual não há uma posição unânime no governo americano.

O secretário de Estado americano, John Kerry, trouxe o caso a público ontem e afirmou que a perda da cidade não seria uma derrota estratégica para a campanha contra o EI, prevista para durar dois meses. "Apesar de ser horrível assistir ao que está ocorrendo em Kobani (...) é preciso dar um passo atrás e entender o objetivo estratégico", disse Kerry. / REUTERS e NYT

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