Apenas um em cada quatro presos por tráfico são indiciados no México

Ineficácia do Judiciário mexicano é um dos motivos da força que os cartéis de traficantes do país ganharam

AP,

27 de julho de 2010 | 19h13

CIDADE DO MÉXICO- Apenas um em cada quatro suspeitos presos por tráfico de drogas no México são indiciados. E de 226.667 detidos, entre 2006 e 2009, 15% viram um veredicto da justiça mexicana, mostram dados obtidos pela Associated Press e publicados nesta terça-feira, 27.

 

A ineficácia do Judiciário mexicano é um dos motivos da força que os cartéis de traficantes do país ganharam nos últimos anos. "Na prática, permite que eles fiquem impunes", disse o embaixador americano Carlos Pascual à AP. "Isto permite que eles ampliem sua influência para os EUA".

 

Além das denúncias de corrupção, a guerra ao tráfico promovida pelo presidente Felipe Calderón sobrecarregou o sistema. Cerca de 25 mil pessoas já morreram desde 2006 e grande parte dos homicídios continua sem solução.

 

Em Ciudad Juarez, onde 2,6 mil pessoas morreram em 2009, promotores públicos abriram 93 casos de homicídio e obtiveram 19 condenações. Nenhum deles tinha penas maiores motivadas por crimes de tráfico.

 

"Eles nunca indiciam ninguém por homicídio porque não há indícios nem provas", disse Jorge Gonzalez, da Associação de Promotores Públicos do México".

 

Calderón já admitiu que o Judiciário é inepto e passou a defender uma reforma no sistema. " Ele impulsiona a injustiça, a impunidade e a corrupção. Precisamos de uma mudança e é por isso que começamos um esforço para modernizar nosso Judiciário", diz o presidente em seu site.

 

No sistema atual, acusados podem ser considerados culpados sem presunção de inocência, não há registro escrito dos inquéritos e as audiências são fechadas. Com a reforma, seria instalado a presunção de inocência, a necessidade de provas para a emissão de mandados de prisão e a abertura de julgamentos ao público. A reforma deve ser completada em 2016.

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