Apertada, corrida eleitoral nos EUA mobiliza europeus

Uma gama de candidatos com perfisinesperados, duas disputas apertadas já no começo da campanha eo anseio por ver um novo rosto na Casa Branca despertaram aatenção dos europeus para a corrida presidencial nos EUA, quecomeça a ganhar ritmo. Dez meses antes de os norte-americanos escolherem osucessor do presidente George W. Bush, muitos europeus exibemum conhecimento amplo sobre a disputa e uma compreensãobalizada a respeito das nuances do pleito em Estados como Iowae New Hampshire. Em Berlim, Paris, Roma e em outras partes da "VelhaEuropa", onde não se esqueceu esse título pouco lisonjeiroconferido ao continente pelo ex-secretário de Defesa dos EUADonald Rumsfeld, há pessoas ansiosas para discutir os méritosda política externa de Hillary Clinton ou o carisma de BarackObama. Em cafés e bares, parece sempre haver alguém falando sobreo ministro batista Mike Huckabee, o mórmon Mitt Romney e suaoposição aos direitos dos homossexuais, a idade de John McCaine suas opiniões a respeito do Iraque ou de Rudy Giuliani. "Desta vez, não se trata meramente de uma disputa com umpunhado de homens brancos com cabelos brancos", afirmou NormanRoy, 26, funcionário de um escritório em Berlim. "Com aparticipação de uma mulher e de um negro, a eleição é algototalmente diferente agora. Há um verdadeiro interesse arespeito dela." Cientistas políticos, colunistas e cidadãos comuns daEuropa disseram que o clamor internacional por um novopresidente norte-americano revela-se particularmente intensodepois dos sete anos de desavenças com o governo Bush arespeito de questões como o Iraque, o Irã e o aquecimentoglobal. "Bush polarizou a Europa e várias pessoas associam essaeleição com o fim de um período horrível das relações entre osEUA e a Europa", disse Christian Hacke, professor de ciênciaspolíticas da Universidade de Bonn. "Há uma ânsia entre oseuropeus por um novo começo." Apesar de as eleições de novembro costumarem despertaratenção na Europa, o nível de interesse nas prévias --alimentado pela cobertura dos jornais e da TV -- éimpressionante levando-se em conta que os europeus são merosespectadores do processo. "É comum ouvirmos os europeus reclamarem, perguntando: 'Nãodeveríamos ter uma voz nessa eleição, já que ela exerce umimpacto tão grande sobre nossas vidas?,"' disse Gary Smith,diretor da Academia Americana, um grupo de estudos daGrã-Bretanha. "E essa postura é ainda mais marcada desta vez", afirmouSmith. "Vários europeus aguardavam por essa eleição -- e por umnovo presidente -- havia quatro anos." Uma pesquisa publicada pelo jornal Bild am Sonntag, porexemplo, apontou que 44 por cento dos alemães votariam emHillary. Na Grã-Bretanha, o The Daily Mail dedicou quase umapágina inteira à corrida, centrando-se na derrocada de Hillary. O Sun reservou meia página para Obama, incluindo uma fotodele com o pai, nascido no Quênia. O The Times publicou umperfil de duas páginas de Obama, especulando sobre se opré-candidato seria um novo Ronald Reagan, um novo JFK ou umnovo Jimmy Carter.

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