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Denis Balibouse/Pool via AP
Denis Balibouse/Pool via AP

Aperto de mão retorna lentamente após 16 meses de pandemia

À medida que restrições são relaxadas em países com vacinação avançada, gesto volta a se popularizar; futuro da tradição, no entanto, é incerto

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2021 | 14h00

GENEBRA - Ele desapareceu com a pandemia do coronavírus, mas graças à vacinação em massa e ao relaxamento progressivo das restrições nos Estados Unidos e na Europa, o aperto de mão está de volta. O futuro da tradição, porém, é incerto.

Uma das imagens que marcaram o encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente americano Joe Biden na última quarta-feira, 16, em Genebra, foi o aperto de mão entre os dois, tanto pela dimensão diplomática quanto pela saúde. Alguns dias antes, convidados do G7 em Cornwall, incluindo Biden, haviam se cumprimentado com os cotovelos.

Nos Estados Unidos, as restrições impostas pela covid-19 foram suspensas em quase todos os Estados. As recomendações sanitárias estão menos rígidas, não há ordens específicas para as empresas e cada uma trata dos contatos físicos à sua maneira.

Cada vez mais empresas e órgãos do governo local usam uma pulseira colorida para permitir que funcionários, clientes ou visitantes indiquem seu grau de abertura para o contato: vermelho, amarelo ou verde, do nível mais desconfiado ao mais confortável. O abraço, comum entre os americanos, é menos praticado hoje.

“Voltar aos velhos costumes não mudará os índices de infecção”, diz Jack Caravanos, professor de saúde pública da Universidade de Nova York (NYU), que lembra que segundo pesquisas o vírus não se transmite principalmente por contato físico. "Dito isso, sabemos que resfriados, gripes e várias outras infecções circulam por meio do contato", disse ele. "Portanto, eliminar o aperto de mão ainda teria um impacto positivo do ponto de vista da saúde pública."

"Confiança no outro"

Apertar as mãos "é um ritual" que os adultos ensinam às crianças, diz a socióloga Allen Furr. Mas depois de 16 meses traumatizantes, a transmissão dessa tradição pode ser questionada.

Ao efeito da covid-19, soma-se uma tendência de trocas menos formais que já afetava o aperto de mão, afirma a socióloga.

A pandemia trouxe saudações cotovelo com cotovelo, punho com punho, "namastê" à maneira indiana. Será que enterrarão o velho aperto de mão?

"Perderíamos muito se desistíssemos", diz Patricia Napier-Fitzpatrick, fundadora da Escola de Etiqueta de Nova York. "Durante séculos, este gesto demonstra confiança entre duas pessoas."

Nos Estados Unidos, onde a pandemia alimentou a polarização, apertar as mãos também "se tornou político", um sinal de desafio às restrições de saúde, observa a assistente de enfermagem Andy McCorkle. /AFP

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