Apesar da crise, imigração volta a aumentar na Europa, diz OCDE

Relatório é baseado em dados de 2010 e 2011; número de imigrantes brasileiros no Japão e em Portugal volta a crescer.

Marcia Bizzotto, BBC

27 de junho de 2012 | 08h19

A queda nos fluxos de imigração legal ocorrida nos últimos anos devido à crise econômica mundial está chegando ao fim, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em seu relatório anual sobre as Perspectivas das Migrações Internacionais, divulgado nesta quarta-feira, em Bruxelas.

"A imigração para 23 dos países da OCDE caiu em 2010 pelo terceiro ano consecutivo. No entanto, a queda foi mais modesta (de 3% comparado com ano anterior, frente a 7% em 2009)", afirma o estudo.

Ao mesmo tempo, "os dados preliminares para 2011 mostram que a imigração voltou a crescer nesse ano na maioria dos países europeus da OCDE, com exceção de Itália e Espanha, e também na Austrália e na Nova Zelândia".

Só na Irlanda, entre maio e abril do ano passado o fluxo de imigrantes cresceu 44%, enquanto a Alemanha experimentou um aumento de 21% entre janeiro e junho do mesmo ano.

Imigrantes brasileiros

No caso dos imigrantes brasileiros, os números de 2010 já indicavam essa mudança de tendência.

No Japão, depois de uma drástica redução de 22,9 mil imigrantes brasileiros em 2007 para 3 mil em 2009 no auge da crise, a população de brasileiros voltou a crescer até 4,7 mil em 2010.

Em Portugal, o número de imigrantes brasileiros voltou a aumentar até 3,4 mil nesse ano depois de ter caído de 5 mil em 2007 para 2,9 mil em 2009.

Na Espanha e na Itália as diminuições persistiram em 2010, mas foram mais moderadas que no ano anterior.

Os brasileiros em território espanhol passaram de 36 mil em 2007 a 14,4 mil em 2009 e a 11,9 em 2010, enquanto que em território italiano passaram de 11,9 mil a 9,7 mil e a 8,6 mil, respectivamente.

Por outro lado, o estudo da OCDE confirma que o agravamento da crise na zona do euro fez aumentar o número de emigrantes dos países mais afetados - Grécia, Espanha, Itália e Portugal.

Em 2011 um total de 50 mil pessoas abandonaram a Espanha, tanto cidadãos nacionais como estrangeiros, um movimento até então inédito no país, que no ano anterior havia recebido mais de 60 mil imigrantes.

A maior parte dos emigrantes gregos, espanhóis, italianos e portugueses buscou oportunidades no mercado de trabalho alemão.

Durante os oito primeiros meses de 2011, o fluxo de imigrantes gregos para a Alemanha aumentou em 80% comparado com o mesmo período do ano anterior, o de espanhóis em 50% e o de portugueses e italianos em 20%. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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