Apesar da tensão, Taleban deve manter diálogo

Cenário: Denise Chrispim Marin

O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h03

Após dez anos de conflito, os EUA esperam relançar na próxima semana negociações com os líderes do Taleban, suspensas em dezembro por resistência do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Ambos os lados - americano e afegão - mostram-se dispostos a alcançar um acordo.

Ontem, o Taleban afirmou num comunicado estar empenhado em chegar a um "entendimento mútuo" para estabelecer um governo islâmico e "trazer paz e estabilidade" ao país. Mas advertiu que, enquanto isso, continuará a lutar contra os EUA e as forças de Karzai. Horas depois do comunicado, os rebeldes assassinaram um dos maiores aliados dos EUA no Afeganistão, o governador de Kandahar, Hajji Fazluddin Agha.

Os termos do acordo envolveriam a libertação de cinco autoridades do governo do Taleban (1996-2001), todos detidos na base americana de Guantánamo e acusados de graves violações dos direitos humanos. Também é reivindicação do Taleban o direito de abrir um escritório em território neutro - possivelmente no Catar. Os EUA exigiriam, em troca, o compromisso do Taleban de respeitar a democracia no Afeganistão e renunciar à prática do terrorismo. Sobretudo, à sua aliança com a Al-Qaeda.

Autoridades americanas ouvidas pelo Washington Post informaram que o diplomata Marc Grossman, encarregado desde o ano passado de conduzir conversas secretas com líderes do Taleban, terá um encontro em dez dias com Karzai para tratar do assunto. Dependerá do presidente afegão definir se os EUA podem ir em frente. Do ponto de vista da Casa Branca, seria melhor que essa conversa fosse "liderada" pelos afegãos.

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