Apesar da tragédia, território ainda é um 'lugar comum'

Para alguns, é a relativa modernidade das lojas de celulares e restaurantes caros. Para outros, são as praias intermináveis com crianças se divertindo, alegres. Mas para quase todos que visitam a Faixa de Gaza, sempre inquietos com o perigo, o que surpreende é o fato de a vida cotidiana, embora atribulada, ser igual à qualquer outro lugar.

Cenário: Ethan Bronner, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

Isolada pelos embargos impostos por Israel, ao norte, e Egito, ao sul, governada pelo Hamas, Gaza parece uma ilha à deriva, esquecida e desprezada nas conversações de paz. É apenas lembrada em momentos de violência, contra ela ou partindo dela.

Assim, quando Katie Orlinsky, fotógrafa freelance, decidiu passar duas semanas ali (sua primeira vez não só numa área palestina, mas também no Oriente Médio), ela não sabia o que encontraria, além de tristeza e destruição. E nesses dois aspectos estava errada. O que mais a impressionou, disse, foi a profundidade da experiência humana. "Desde uma criança num computador velho, encostada numa parede furada de balas, até o casal jantando e tomando Coca-Cola contrabandeada do Egito", disse.

Quando a vida acaba com suas opções, você improvisa como pode (ou finge). Se é um cientista sem laboratório, coloca seu jaleco branco. Se é um pescador impedido pela Marinha israelense de ir mais longe nas suas próprias águas para conseguir uma boa pesca, pega o barco e sai para pescar ? embora hoje você compre o peixe dos vizinhos egípcios. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM JERUSALÉM DO JORNAL "THE NEW YORK TIMES"

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