Joao Silva/The New York Times
Joao Silva/The New York Times

Apesar das amplas reservas de petróleo, Angola continua entre os países mais pobres do mundo

População não consegue se beneficiar dos lucros da produção do combustível; nação ocupa o 164.º lugar do ranking de 176 países sobre corrupção mundial da ONG Transparência Internacional

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 15h47

LUANDA - Angola é um país com imensas reservas de petróleo, mas não consegue beneficiar sua população, que continua entre as mais pobres do mundo. A nação passou quase três décadas em uma guerra civil, entre 1975 e 2002, que deixou 500 mil mortos. Desde 1975, é governada por José Eduardo dos Santos, que passará o bastão neste ano após a apuração do resultado das eleições presidenciais

Petróleo e crise

Ao lado da Nigéria, Angola é um dos principais produtores de petróleo da África Subsaariana, e a maioria de seus recursos vem da exploração de hidrocarbonetos. Graças à commodity, o país conseguiu fazer uma ampla reconstrução de sua infraestrutura.

O boom petroleiro transformou Luanda em uma das capitais mais caras do planeta, mas seu crescimento não beneficiou a população. A queda dos preços da commodity desde 2014 levou o país a uma profunda crise econômica.

Segundo o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita era de US$ 3.440 em 2016. Angola está no 164.º lugar - de 176 países - no ranking sobre corrupção mundial da ONG Transparência Internacional.

Guerra

Ex-colônia portuguesa, Angola se tornou independente em 1975, depois de uma guerra pela libertação do país iniciada em 1961. As guerrilhas envolvidas na independência entraram em uma guerra civil. Participaram desse longo confronto o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do presidente Agostinho Neto, a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

O conflito foi interrompido em duas ocasiões, com os Acordos de Bicesse (Portugal), de 1991, e o Protocolo de Lusaka (Zâmbia), de 1994. Nos dois casos, a guerra acabou sendo retomada. Somente em 2002 as Forças Armadas e a Unita chegaram a um acordo de cessar-fogo.

38 anos no poder

José Eduardo dos Santos chegou ao poder após a morte do presidente Neto, em 1979. Desde então, dirige Angola e controla todas as instituições do país. Seu partido, o MPLA, conta com maioria absoluta do Parlamento. As manifestações da população são comumente reprimidas, quase sempre com violência, pela polícia.

Herança

Santos é criticado por ter dominado e explorado o Estado e a economia, sobretudo, entregando à sua família a direção de diversas empresas. O fundo soberano do país é dirigido por seu filho, José Filomeno, desde 2013. A petroleira estatal Sonangol e o principal banco do país, o BFA, estão nas mãos de sua filha, Isabel, considerada pela revista Forbes a mulher mais rica da África.

Separação

Com 25 milhões de habitantes, a Angola faz fronteira com o Congo, a República Democrática do Congo (RDC), a Zâmbia e a Namíbia. A Província de Cabinda, entre o Congo e a RDC, produz 60% do petróleo nacional e tem manifestado reivindicações separatistas desde sua integração a Angola. / AFP

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