EFE / Abir Sultan
EFE / Abir Sultan

Apesar de ameaça de processo por corrupção, Netanyahu diz que coalizão de governo é ‘estável’

Polícia de Israel recomendou à Justiça o indiciamento do premiê também por fraude e abuso de confiança; decisão de processar o líder depende do procurador-geral e pode levar semanas ou meses

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 10h44

JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, garantiu nesta quarta-feira, 14, que a coalizão de governo é "estável", apesar da ameaça de processo por corrupção que pesa contra ele.

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"Posso tranquilizá-los: a coalizão é estável. Nem eu e nem ninguém temos o projeto de eleições (antecipadas). Vamos continuar trabalhando juntos (...) até o fim do mandato" previsto para 2019, declarou o premiê em um discurso em Tel Aviv. "Depois de ler as recomendações (policiais), posso dizer que são um documento torto, radical e cheio de buracos como um queijo suíço", afirmou.

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Na terça-feira, a Polícia israelense recomendou à Justiça o indiciamento de Netanyahu por corrupção, fraude e abuso de confiança em dois casos, após dois anos de investigação.

Nesta manhã, um ministro do Executivo de Netanyahu criticou o premiê israelense, mas disse que permanecerá na coalizão. "Aceitar, durante um longo período, presentes que representam grandes quantias, é possivelmente não estar à altura" do que se espera de uma pessoa que deve dar o exemplo, afirmou o ministro da Educação, Naftali Bennet, líder do partido Lar Judeu, um dos pilares da coalizão.

Em um dos processos, Netanyahu é acusado de receber presentes - como charutos, dos quais é um grande apreciador - de personalidades conhecidas por suas fortunas, como James Packer, um bilionário australiano, e Arnon Milchan, produtor de cinema israelense que trabalha em Hollywood. 

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Netanyahu afirmou que ele e Milchan trocavam presentes desde muito antes de ser primeiro-ministro. "O relatório da polícia infla os valores, tudo para chegar a uma soma incrível de dinheiro", acrescentou em referência aos € 230 mil que os investigadores alegam que ele recebeu ao longo dos anos em charutos, champanhe, roupas e joias.

"Ignoram que eu não ajudei Milchan, mas atuei contra ele. Rompi o monopólio no seu negócio de compra e venda de peças de carro, quis fechar o Canal 10 (de televisão), que era em parte seu. Como é que o ajudo se também o prejudico? Nem um e nem o outro. Atuo segundo os meus princípios, a favor de Israel e da sociedade israelense", destacou o premiê.

A polícia também considerou que houve corrupção no acordo secreto que Netanyahu teria tentado firmar com o proprietário do Yediot Aharonot, o mais importante jornal israelense por assinatura, para uma cobertura favorável a seus interesses.

"Não tenho certeza que seja boa ideia investigar relações entre políticos e jornalistas, mas, já que se está fazendo isso, é absurdo que me julguem por essa conversa", considerou.

A decisão de processar o premiê de 68 anos depende do procurador-geral, Avishai Mandelblit, e pode levar semanas ou meses. Durante a investigação, Netanyahu não parou de alegar inocência, repetindo que "não acontecerá nada porque não aconteceu nada".

O primeiro-ministro também atacou duramente seu ex-ministro das Finanças Yair Lapid, apresentado como testemunha-chave em um dos casos, pois "prometeu me derrubar a qualquer preço", segundo Netanyahu.

"Só lhe interrogaram durante uma hora e se transformou em testemunha principal, é amigo de Milchan, íntimo, trabalhou com ele (...). Eu recebo recomendações e ele, aplausos", criticou.

Lapid aparece nas pesquisas como um dos principais adversários do atual premiê em um cenário de eleição. / AFP e EFE

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