EFE/Alejandro Garc
EFE/Alejandro Garc

Apesar de avanços tecnológicos, muitos europeus estão temerosos sobre vacina

Muitos dizem que vão esperar para ver se há algum efeito colateral antes de tomar o imunizante

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2020 | 16h44

VARSÓVIA - A Europa lançou uma enorme campanha de vacinação contra covid-19 neste domingo para tentar conter a pandemia de coronavírus, mas muitos europeus estão céticos sobre a velocidade com que as vacinas foram testadas e aprovadas e relutantes em tomá-las.

A União Europeia firmou contratos com uma série de fabricantes de medicamentos, incluindo Pfizer e BioNTech, Moderna e AstraZeneca, para um total de mais de 2 bilhões de doses e definiu uma meta para todos os adultos serem inoculados no próximo ano.

Mas as pesquisas apontam para altos níveis de hesitação em relação à inoculação em países que vão da França à Polônia, com muitos acostumados a ver vacinas sendo desenvolvidas durante décadas, não apenas meses.

“Não acho que haja uma vacina na história que tenha sido testada tão rapidamente”, disse Ireneusz Sikorski, de 41, anos ao sair de uma igreja no centro de Varsóvia com seus dois filhos.

“Não estou dizendo que a vacinação não deveria ocorrer. Mas não vou testar uma vacina não verificada em meus filhos ou em mim.”

Pesquisas na Polônia, onde a desconfiança nas instituições públicas é profunda, mostraram que menos de 40% das pessoas planejam se vacinar, por enquanto.

Neste domingo, apenas metade da equipe médica de um hospital de Varsóvia, onde foi administrada a primeira injeção do país, havia se inscrito.

Na Espanha, um dos países mais atingidos da Europa, German, um cantor e compositor musical de 28 anos originário de Tenerife, também planeja esperar por ora.

“Ninguém próximo a mim teve (covid-19). Obviamente não estou dizendo que não existe, pois muitas pessoas morreram disso, mas por enquanto eu não vou tomar (a vacina).”

Um bispo cristão ortodoxo na Bulgária, onde 45% das pessoas disseram que não tomariam uma injeção e 40% planejam esperar para ver se algum efeito colateral negativo aparece, comparou o covid-19 à pólio.

“Eu mesmo fui vacinado contra tudo o que possa ser”, disse o bispo Tihon aos repórteres depois de receber sua injeção, ao lado do ministro da Saúde em Sofia.

Ele falou sobre a ansiedade em relação à poliomielite antes que a vacinação se tornasse disponível nos anos 1950 e 1960.

“Estávamos todos tremendo de medo de pegar pólio. E então ficamos muito felizes”, disse ele. “Agora, temos de convencer as pessoas. É uma pena.” / REUTERS

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