Apesar de corte, gastos militares britânicos ficam entre os mais altos

Orçamento do Ministério da Defesa britânico sofrerá um corte de 8%.

BBC Brasil, BBC

19 de outubro de 2010 | 19h27

Forças Armadas do Reino Unido perderão 17 mil militares até 2015

Mesmo com o corte de 8% no setor de defesa, anunciado nesta terça-feira, o Reino Unido deve permanecer como um dos países que mais têm gastos militares - equiparado com França e Rússia e acima de Alemanha e Japão, embora bem abaixo de Estados Unidos e China.

O orçamento do Ministério da Defesa britânico hoje é de cerca de 40 bilhões de libras (aproximadamente R$ 106 bilhões). Em 2009, os Estados Unidos foram o país líder em gastos militares, com US$ 661 bilhões (R$ 1,11 trilhão), seguido da China, com US$ 100 bilhões (R$ 168 bilhões), segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, sigla em inglês).

Os gastos da Grã-Bretanha ficam pouco abaixo dos da França (US$ 63,9 bilhões, ou R$ 107 bilhões) e acima dos da Rússia (R$ 53,3 bilhões, ou R$ 89,5 bilhões). Em 2009, o Brasil gastou US$ 26 bilhões (R$ 43,6 bilhões) no setor de defesa.

Devido aos cortes de gastos anunciados nesta terça-feira pelo governo, as Forças Armadas britânicas serão obrigadas a dispensar cerca de 17 mil militares em um prazo de cinco anos.

O Exército deverá realizar um corte de 7 mil pessoas até 2015. Estimativas iniciais apontavam que as dispensas poderiam chegar a 20 mil militares.

Contando atualmente com 112.130 soldados, o Exército britânico já tem um contingente menor do que países como França (130.500), Israel (133 mil) e Japão (151.640).

Já a Marinha, que atualmente tem 39.020 militares, perderá 5 mil nos próximos cinco anos, ficando atrás de França (40,5 mil) e Japão (45,5 mil) em número de pessoas.

A Real Força Aérea (RAF, sigla em inglês), que tem 43.780 militares, também cortará 5 mil pessoas até 2015, ficando com um contingente semelhante ao da Alemanha (43.390).

Baixas em equipamento

Além da dispensa de pessoal, as Forças Armadas britânicas também sofrerão baixas em termos de equipamento.

O Exército, que já tem um número menor de tanques de guerra do que países como França, Japão e Alemanha, deverá perder até 40% de sua artilharia pesada com os últimos cortes.

Por sua vez, a RAF fechará bases aéreas e terá uma redução no número atual de 233 aviões de combate, devendo ficar com menos aeronaves do que França (hoje com 342 aviões), Japão (310) e Israel (407).

Apesar da redução de gastos, o governo britânico confirmou a construção de dois novos porta-aviões.

O governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron, está realizando a primeira revisão de gastos do país dos últimos 12 anos.

O corte de 8% no orçamento do Ministério da Defesa foi menos severo do que de outros departamentos, que chegaram a um máximo de 20%.

O ministro da Defesa, Liam Fox, argumentou que a sua pasta deveria sofrer um impacto menor por já ter feito uma redução de gastos em um plano de contenção.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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