Doug Mills/NYT
Doug Mills/NYT

Apesar de críticas, Air Force One terá de ser trocado

Trump pode tentar reduzir custos, mas plano para comprar dois novos Boeing 747 para Casa Branca é inevitável

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2017 | 05h00

Apesar das promessas durante a campanha e após ter sido eleito, Donald Trump provavelmente terá de ceder e aceitar a troca dos atuais aviões presidenciais por modelos mais novos. O avião que transporta os presidentes dos EUA, uma das aeronaves mais conhecidas, é um símbolo do poder americano, uma extensão da Casa Branca e um posto avançado de comando das Forças Armadas. 

Em várias ocasiões, o então candidato denunciou, em seu estilo muito próprio, os custos da nova geração de jatos presidenciais, dois Boeing 747-8 que, prontos para voar, talvez custem perto de US$ 4 bilhões. Em dezembro, já eleito, foi mais direto no Twitter, “Cancelem o pedido!”, depois de definir o plano como “caro” e “ridículo”. 

A empresa reagiu. Em nota, a Boeing informou que até agora tem apenas um contrato no valor de US$ 170 milhões para definir as capacidades dos aviões. A área financeira do governo estimou o preço da encomenda em US$ 3,2 bilhões. Os especialistas da Força Aérea dos EUA criaram um colchão de garantia e arredondaram a expectativa de gastos para US$ 4 bilhões.

Os dois aviões presidenciais americanos atuais estão chegando perto dos 27 anos de uso constante. Todas as vezes que saem do hangar na Base de Andrews, em Maryland, os gigantes estão com os sistemas zerados e exaustivamente revisados. Apesar disso, “é preciso considerar a fadiga da célula, o cansaço normal da máquina”, salientou um engenheiro aeronáutico ouvido pelo Estado.

É provável que Trump consiga reduzir o gasto – mas não conseguirá escapar de ter de tomar a decisão. O avião proposto é ainda maior que os atuais 747 utilizados pela Casa Branca. O 747-8 mede 76 metros de comprimento, cerca de 6 metros mais comprido. Até dezembro, havia perto de 110 unidades entregues para 4 empresas. Cada um não sai por menos de US$ 378 milhões.

Tudo muda quando o 747-8 é produzido para receber o selo da presidência americana. Luxuoso, com uma ala privativa que oferece suíte com cama de casal, banheiro com ducha e saleta de repouso, o Air Force One acumula recursos e incorpora certas tecnologias criadas apenas para ele. Desse viés, pouco se sabe. Além dos salões de reuniões, gabinetes de trabalho para a equipe do governo, da mobília requintada, da cozinha espetacular e do ambulatório hospitalar, há um vasto leque de equipamentos especiais. 

Um dispositivo para que o jato seja reabastecido em voo, por exemplo, permite que permaneça no ar, talvez, por 52 horas contínuas – um dado não confirmado. Estão disponíveis comunicações de alta definição com qualquer parte do planeta, acesso a todos os comandos da complexa estrutura de Defesa dos EUA, emissores de sinais destinados a confundir eventuais radares e sensores inimigos. Com toda a carga e sofisticação, o avião presidencial não tem armas, mas incorpora para autodefesa baterias de ‘flares’ – globos de calor intenso empregados para atrair mísseis inimigos. Há rumores de que os 747-8 poderiam dispor de mísseis próprios. Naturalmente, isso ninguém confirma.

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