Apesar de críticas, Olmert apóia candidatura de Peres

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, reiterou neste domingo, 24, seu apoio à candidatura presidencial do vice-primeiro-ministro Shimon Peres, apesar de suas críticas ao conflito contra o Hezbollah no último ano."Não tenho nenhum outro candidato tão adequado (para a Presidência de Israel) como Peres. Lutaremos intensamente para que ele seja nomeado presidente", disse Olmert em um encontro com ministros do partido Kadima - mesma legenda do vice-primeiro-ministro.No depoimento a uma comissão que investiga os possíveis erros do governo e do Exército israelense no conflito com o Hezbollah, Peres disse que não teria iniciado a ofensiva militar, apesar de tê-la apoiado por "lealdade".Além disso, o pré-candidato criticou Olmert e o ministro da Defesa, Amir Peretz, por terem chegado às reuniões do gabinete ministerial de guerra "com propostas muito fechadas". Peres disse que foi "difícil fazê-los mudar de opinião", já que o encontro aconteceu após uma reunião com o Exército.Por outro lado, uma associação de familiares das vítimas israelenses do conflito enviou hoje uma carta a todos os deputados do país na qual reivindicam que se oponham à candidatura de Peres por causa das declarações."Apelamos a todos, enquanto representantes públicos, que mostrem responsabilidade pública e social e evitem a candidatura presidencial do vice-primeiro-ministro Shimon Peres", diz a carta.A declaração de Peres diante da Comissão Winograd "gera dúvidas sobre suas aptidões como veterano homem de Estado e revela um comportamento passivo e irresponsável impróprio de um homem de sua reputação", disseram os familiares de 20 vítimas fatais dos 34 dias de conflito contra a milícia xiita pró-síria.Um dos promotores da carta, David Einhorn, que perdeu o filho Yonatan no conflito, criticou o fato de um homem com a "idade e a vasta experiência" de Peres "permanecer inativo e guardar um silêncio além da lealdade" frente ao início da guerra, após o seqüestro pelo Hezbollah de dois soldados israelenses, ainda mantidos em cativeiro, informou o jornal Yedioth Ahronoth."Caso não tivesse ficado calado, muitas vidas poderiam ter sido salvas", acrescenta.Peres perdeu na votação parlamentar que decidiu a presidência do país em 2000 contra o atual presidente, Moshé Katsav, acusado de vários crimes, entre eles, abusar e assediar sexualmente suas subordinadas.

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