Apesar de derrota, governo argentino garante que não ''mudará de rumo''

O líder governista no Senado argentino, Miguel Ángel Pichetto, reafirmou ontem que a presidente Cristina Kirchner não pretende modificar suas diretrizes políticas, apesar da derrota sofrida nas eleições parlamentares do dia 28. "Continuamos no mesmo rumo", garantiu Pichetto. As declarações repercutiram negativamente nos mercados: a Bolsa de Buenos Aires registrou queda de 2,8% e títulos da dívida pública argentina caíram de 7% a 12%. A opinião pública também não aprovou a mudança de ministros, realizada às pressas após a derrota do governo nas urnas. Uma pesquisa do jornal Clarín indicou que 78,3% dos entrevistados reprovam as alterações do gabinete.Francisco de Narváez, líder da coalizão União-PRO, de oposição, que derrotou o marido de Cristina, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), defendeu a saída imediata de Guillermo Moreno, acusado de manipular os índices de inflação. Segundo De Narváez, também é necessário que Kirchner se afaste do comando do governo de sua mulher.Analistas e a oposição viram a troca de ministros como um mero "remanejamento" dos homens de confiança de Kirchner. A manobra indica que o ex-presidente, apesar da derrota nas urnas, continua com forte influência sobre o governo. Um dos indicados de Kirchner é seu aliado Amado Boudou, terceiro ministro da Economia desde a posse de Cristina, há um ano e meio. Boudou comandou a controvertida estatização dos Fundos de Pensões no ano passado. Outra figura polêmica que entrou no governo é o novo ministro da Justiça, Julio Alak, um dos responsáveis pela reestatização da Aerolíneas Argentinas. A mudança no gabinete, entretanto, não deve implicar grandes alterações na relação com o Brasil. A política comercial, foco das tensões bilaterais, é comandada pela ministra do Desenvolvimento, Débora Giorgi. Chamada por seus críticos de "senhora protecionismo", Débora, próxima de Cristina, permanece no cargo.MUDANÇASMinistério da Economia - Amado Boudou, que comandou a estatização dos Fundos de Pensões, será o novo responsávelPasta da Justiça - O titular será Julio Alak, que participou da estatização da Aerolíneas Argentinas Chefia do Gabinete - Ficou com Aníbal Fernández, que acompanha os Kirchners há seis anos

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