Apesar de matanças, venda de armas tem apoio de americanos

Cenário: Morgan Little / L.A. Times

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h07

Conforme o debate envolvendo o trágico tiroteio em Aurora, Colorado, se volta para o questionamento do quanto o ocorrido justificaria a adoção de medidas para controlar a venda de armas nos EUA, é importante reconhecer o quanto as opiniões sobre a posse de armas mudaram nos últimos anos.

Apesar de episódios como o massacre na Escola Columbine em 1999, o ataque a tiros na Universidade Virginia Tech, em 2007, e o ocorrido em Fort Hood, Texas, em 2009, o apoio ao controle da venda de armas apresentou um declínio constante em todo os EUA e os americanos mostraram-se cada vez mais satisfeitos com o status quo atual dos direitos de porte de arma.

Uma pesquisa de opinião realizada pela Gallup em janeiro constatou que 50% das pessoas estão ao menos um pouco satisfeitas com o estado atual das leis americanas de controle de armas, enquanto 42% dizem estar um pouco ou muito insatisfeitos. Trata-se de um salto significativo com relação aos 38% que se diziam satisfeitos em 2001 diante dos 57% insatisfeitos.

Entre aqueles que disseram estar insatisfeitos, uma parcela bem maior afirmou desejar um controle mais rigoroso da venda e porte de armas (25% contra 8%), mas, em meio à ascensão das leis de direito ao porte e ao fim da proibição contra as armas de assalto, os defensores dos direitos de compra e porte de armas têm poucos motivos para se queixar do atual estado das coisas.

Uma pesquisa de opinião mais recente, realizada em abril pela Pew Research, apontou esta mudança nas prioridades em relação ao tema. Entre os americanos, 49% dão mais importância ao direito de portar uma arma, enquanto 45% dão prioridade ao controle da posse de armas. Esta diferença, revelada na segunda vez em que a Pew observou mais ênfase no direito ao porte do que nas leis de controle de porte, marca um declínio expressivo em relação aos resultados verificados em 2000, quando 66% dos participantes deram mais importância ao controle e 29% defenderam o direito ao porte.

Isso deixa em posição precária aqueles que agora defendem uma resposta legislativa para o ataque a tiros em Aurora. Em entrevista ao programa Fox News Sunday, a democrata Dianne Feinstein, senadora da Califórnia, atribuiu parte da culpa pelos massacres à inação do Congresso diante da questão do controle de armas, decorrente da influência da National Rifle Association. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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