Glyn Kirk/AFP
Glyn Kirk/AFP

Apesar da pandemia, milhares de imigrantes cruzam o Canal da Mancha entre França e Inglaterra

Região registrou número recorde de travessias em 2020

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 04h00

Conforme o sol nasce sobre o Canal da Mancha, um pequeno ponto preto no horizonte lentamente se transforma em uma imagem cada vez mais familiar: um barco sobrecarregado com migrantes desesperados para chegar ao Reino Unido.

Um drone de estilo militar circula, e um navio da Guarda de Fronteira Britânica rapidamente aparece para retirar a dúzia de migrantes do perigoso barco inflável e levá-los ao porto de Dover, no sul da Inglaterra.

No barco, todos os ocupantes usam coletes salva-vidas; ao menos uma mulher e uma criança estão a bordo. O grupo é um dos muitos que tentaram atravessar a região na madrugada da última terça-feira, 1, aproveitando uma trégua no mau tempo.

“Este ano, cada dia de mar calmo tem sido um pandemônio”, diz Matt Coker, capitão do Portia, um navio de 11 metros de comprimento fretado pela Agência France Press para ver de perto a situação no Canal da Mancha.

Coker, 40, de uma família de marinheiros, faz a rota marítima mais movimentada do mundo há duas décadas.“Não costumávamos ver migrantes até três ou quatro anos atrás”, diz ele. "Nos últimos anos, as coisas têm piorado."

A questão da imigração é polarizada no Reino Unido: os jornais de direita do país condenam as travessias e muitos legisladores conservadores exigem uma fiscalização mais rígida das fronteiras.

Coker é o primeiro a avistar o barco lotado, a cerca de cinco milhas da costa, enquanto a Guarda de Fronteira está ocupada interceptando duas outras embarcações.

Em seguida, segue o procedimento: comunica por rádio a localização exata e a quantidade de pessoas a bordo. O grupo, aparentemente oriundo do Oriente Médio, não responde a perguntas sobre sua origem, enquanto aguarda a chegada das autoridades. /AFP

 

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