Apesar de pressão, Netanyahu diz que manterá construções

Afirmação é feita um dia após Hillary telefonar para o premiê de Israel pedindo que o projeto seja cancelado

AFP E Efe, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

Desafiando a pressão dos EUA, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, declarou ontem durante uma reunião de seu Partido Likud que Israel continuará construindo casas em Jerusalém Oriental. O governo de Barack Obama pediu ao governo de Israel que detenha um polêmico projeto de construir mais 1.600 casas no bairro de Ramot Shlomo, em Jerusalém Oriental, e adote medidas para retomar as negociações de paz.

O anúncio sobre a expansão israelense foi feito na semana passada durante o início da visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, que viajou para a região em meio aos esforços para iniciar negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

A decisão israelense provocou uma reação imediata dos palestinos, que advertiram que não haverá nenhuma negociação sem o fim da expansão israelense nos territórios palestinos ocupados.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, considerou a medida "um insulto" que atinge "os esforços de paz". Ela telefonou no fim de semana a Netanyahu para reiterar a rejeição dos EUA à decisão de Israel.

"Quando (a secretária de Estado) disse a Netanyahu o que pensava que ele deveria fazer, pediu uma resposta formal do governo israelense e estamos esperando essa resposta", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. "Quando recebermos essa resposta reagiremos", acrescentou.

Segundo a imprensa israelense, o telefonema de Hillary "surpreendeu" Netanyahu, pois ele já tinha se desculpado com Biden e reconhecido o momento inapropriado para o anúncio. A intransigência manifestada ontem por Netanyahu deve elevar a tensão entre os dois países. Para o embaixador de Israel em Washington, Michael Oren, trata-se da crise "mais grave em 35 anos", quando os EUA obrigaram o Estado judeu a retirar-se parcialmente do Sinai. Em meio à tensão, estudantes palestinos entraram em choque ontem com soldados de Israel no norte de Ramallah.

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