Apesar de problemas, Haiti tem votação calma

Segundo turno de eleições presidenciais é marcado por tumultos e filas; transtornos, porém, foram bem menores que os da votação de novembro

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

Haitianos que participaram ontem do segundo turno das eleições voltaram a se deparar com atrasos no início da votação, além de confusões com listas de eleitores. No entanto, a dimensão dos problemas foi bem menor do que na primeira fase da disputa, em novembro, quando fraudes sistemáticas contaminaram o resultado das urnas.

O Estado percorreu 16 centros de votação em várias regiões de Porto Príncipe. Em nove locais, dificuldades na entrega de cédulas e urnas atrasaram o início do processo, marcado para às 6 horas (8 horas de Brasília). Jacques Belizère, de 36 anos, acordou de madrugada para ir às urnas, mas teve de enfrentar fila. "Fico chateado de aguardar tanto, mas fico aqui até o final para eleger Mirlande Manigat", afirmou, em referência à ex-primeira-dama que disputa com o cantor Michel Martelly. Após seis horas e meia, ele conseguiu depositar seu voto. Um dos maiores problemas do primeiro turno foi a confusão na hora de informar aos eleitores seus locais de votação. Desta vez, a Comissão Eleitoral Provisória (CEP) montou um sistema de mensagens por celular informando onde cada um deveria comparecer.

O esforço foi capaz de reduzir a confusão. Mesmo assim, Marie Joseph Bernard, de 65 anos, percorria com o dedo as listas coladas na parede do Lycée National de Petion Ville, sem encontrar seu nome. Ela estacionou o indicador entre os nomes Marie France Bernard e Mie Ketty Bernard, e concluiu: "Eu deveria estar bem aqui". Um funcionário do CEP que a auxiliava sugeriu que ela tivesse errado de centro de votação.

Em um colégio público de Cité Soleil, um dos bairros mais violentos, os próprios funcionários eleitorais reclamavam que o nome de muita gente não estava nas listas oficiais. "Centenas de pessoas não votaram por causa disso", disse o mesário Sheman Dhaiti. Enquanto no primeiro turno o problema havia sido generalizado, ontem parecia restrito a alguns centros de votação.

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