Apesar de problemas, modelo diz que trabalho na Índia 'valeu a pena'

Mineira passou três meses em Mumbai, onde mantinha rotina de trabalho intensa, que costumava durar das 7h às 17h.

João Fellet, BBC

24 de julho de 2012 | 05h46

Nem todas as modelos brasileiras que trabalharam nos últimos anos na Índia queixam-se da experiência. Apesar das dificuldades que diz ter enfrentado no país asiático, a mineira Rayana Oliveira, de 21 anos, afirma que a viagem "valeu muito a pena".

"Tive que amadurecer muito e me virar sozinha. Não me arrependo de ter viajado, para mim foi válido", diz a jovem à BBC Brasil.

Oliveira passou três meses na Índia no fim de 2010, na sua primeira viagem ao exterior. A jovem viajou para Mumbai, maior cidade indiana, onde dividiu um apartamento de dois quartos com duas colegas brasileiras.

Segundo ela, as condições de moradia eram "boas no contexto indiano". "Sabia que não ia encontrar o mesmo conforto do Brasil."

A rotina, diz Oliveira, era intensa: fazia quatro ou cinco testes (castings) por jornada de trabalho, que costumava durar das 7h às 17h. "Às vezes, trabalhávamos até aos domingos."

Como havia muito trânsito em Mumbai, passava boa parte do tempo em congestionamentos.

Pagamento

Em troca, ela recebia um pagamento semanal para gastos cotidianos, que considerava suficiente. A jovem ganhou ainda comissões pelos comerciais que produziu (cujos valores prefere não divulgar), entre os quais para uma companhia telefônica, para a Sprite e para a Fedex.

Com o dinheiro, fez compras e quitou a dívida que havia contraído com a agência indiana, referente a passagens aéreas, hospedagem, transporte e academia em Mumbai. Oliveira não reclama da cobrança: diz que estava ciente dela desde que aceitara a proposta de trabalho no Brasil.

"Não estava preocupada em juntar dinheiro; topei o trabalho mais pela possibilidade de viajar, de conhecer outro país."

Ela diz ter cumprido seus objetivos: além de conhecer pontos turísticos de Mumbai e frequentar festas com atores de Bollywood, fez uma visita à Tailândia, onde trabalhou num comercial.

Ao longo de todo o período de trabalho, a modelo afirma que foi muito bem tratada por fotógrafos, produtores e maquiadores. "O povo indiano é excelente, fiz quase uma família. Dificilmente teria vivenciado isso numa viagem de férias."

Ainda assim, ela interrompeu o trabalho antes do prazo acordado, de seis meses. Entre as razões para a decisão, ela cita saudades da família, dificuldade para se adaptar à cozinha indiana (por se alimentar mal, diz que seu cabelo e suas unhas se tornaram frágeis) e a vontade de retomar os estudos e outras atividades no Brasil.

Hoje, enquanto cursa o quarto semestre de educação física em Conselheiro Lafaiete (MG), aguarda nova oportunidade para trabalhar no exterior, preferencialmente em outros países da Ásia ou na Europa.

"Agora não haverá mais choque com a separação, com a distância da família." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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