Apesar de promessas de paz, ação contra as Farc será difícil

Chávez rejeita acusação de que há guerrilheiros na Venezuela e não dá sinais de que trabalhará para acabar com a guerrilha

Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Mesmo com o restabelecimento de relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, a pergunta inevitável para analistas que acompanharam a crise é: quanto um entendimento pode durar? Nos dois pontos mais sensíveis da relação bilateral - a presença da guerrilha na Venezuela e o acordo militar EUA-Colômbia - a possibilidade de avanços reais desde o início mostrou-se limitada.

Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, o ideal seria que Hugo Chávez comprasse a guerra contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Chávez pode até fazer declarações favoráveis a Bogotá, pedindo à guerrilha que se desmobilize e solte os reféns, mas dificilmente empregará recursos necessários para de fato evitar a ação das Farc em seu país", diz León Valencia, da Fundação Nuevo Arco Íris, que estuda o conflito na Colômbia.

Ontem, Chávez voltou a negar que guerrilheiros estejam escondidos na Venezuela e jurou que não apoia e jamais permitirá a presença das Farc em território venezuelano.

"É difícil estabelecer se realmente há cumplicidade entre Chávez e a guerrilha ou se as Farc só aproveitam as fragilidades da segurança na fronteira", diz o cientista político colombiano Carlos Medina, autor de um livro sobe a guerrilha. "De qualquer forma, combater as Farc tão cedo não será prioridade para o venezuelano."

Santos, por sua vez, certamente não cogitará rever a aliança militar com os EUA - que, segundo Chávez, seria uma ameaça aos países da região - porque ela permitiu à Colômbia obter importantes avanços no combate às Farc.

Mudança de hábito. Há três semanas, o líder venezuelano falava em conflito armado com a Colômbia. Há quatro meses, ele acusava Santos de ser um "homem de guerra" - e o colombiano, então candidato, denunciava "interferência" em temas internos de seu país. Ontem, ambos prometeram restabelecer relações diplomáticas, mas ninguém sabe até quando essa paz pode durar.

Embaixador americano

Os EUA disseram que ainda não receberam notificação formal da Venezuela com a recusa em

aceitar Larry Palmer como embaixador em Caracas, apesar do anúncio de Hugo Chávez

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