Apesar de protestos, EUA executam condenado

Suprema Corte mantém sentença mesmo sabendo que testemunhas voltaram atrás em seus depoimentos sobre o assassinato de um policial em 1989

JACKSON, EUA , O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h02

Declarando-se inocente, Troy Davis, de 42 anos, foi executado na madrugada de ontem com uma injeção letal. Acusado de matar um policial da cidade de Savannah, no Estado da Georgia, há mais de duas décadas, ele se havia transformado em um símbolo da luta contra a pena de morte e o desequilíbrio racial no sistema judicial americano.

A execução estava programada para o início da noite de quarta-feira, mas foi adiada porque os advogados de defesa tentaram um pedido de última hora na Suprema Corte dos EUA, que confirmou a sentença. Como a culpa de Davis era questionada, policiais e uma tropa de choque fizeram a segurança do local da execução, onde centenas de manifestantes protestavam.

Antes de ser morto, Davis insistiu em sua inocência e disse diretamente aos parentes do policial Mark MacPhail, veterano de guerra e pai de dois filhos, que o homem errado estava sendo punido. "Peço que investiguem o caso com mais profundidade para que possam, finalmente, enxergar a verdade."

O policial foi baleado no estacionamento de um restaurante. Nove testemunhas disseram que Davis havia cometido o crime. Anos mais tarde, contudo, sete das testemunhas de acusação retrataram-se ou modificaram seus depoimentos. De acordo com os promotores, no entanto, um relatório de balística provaria que Davis realmente matou o policial.

Davis havia escapado da execução em três ocasiões graças aos recursos de seus advogados, que alegavam violações graves dos direitos civis, irregularidades na investigação original e no julgamento.

Na quarta-feira, os advogados de defesa chegaram a propor um teste com um detector de mentiras, que foi recusado. A viúva do policial, Joan MacPhail-Harris, afirmou que chamar Davis de vítima era um absurdo.

"Estamos convivendo com isso há 22 anos", disse Joan, na segunda feira. "As vítimas somos nós. Há leis para garantir que não reine o caos. Não estamos simplesmente executando Troy arbitrariamente."

O caso mostrou-se um tortuoso exercício de manobras legais e políticas envolvendo a pena de morte. Mais de 630 mil pessoas fizeram uma petição pelo adiamento da execução, entre elas o ex-presidente Jimmy Carter, o bispo sul-africano Desmond Tutu, 51 congressistas e até alguns defensores da pena de morte, como o ex-diretor do FBI William Sessions. No entanto, uma pesquisa do instituto Gallup, feita em 2010, mostrou que 64% dos americanos apoiam a pena de morte. / NYT

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