Apesar de proximidade de cessar-fogo, 24 morrem devido à violência na Síria

Governo e oposição aceitaram interromper o conflito a partir do dia 10, mas a data tem provocado um aumento - e não redução - da violência.

BBC Brasil, BBC

07 de abril de 2012 | 09h00

Pelo menos 24 pessoas morreram neste sábado em novos confrontos na Síria, onde forças do governo e manifestantes de oposição se enfrentam há mais de um ano.

Os ativistas dizem que todos os mortos eram oposicionistas do distrito de Latamneh, na cidade de Hama. Segundo eles, forças do governo sírio atacaram Latamneh, e o número de mortos podem chegar a 27.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, criticou o governo sírio por lançar novas ofensivas militares.

O governo sírio havia concordado em cessar todos ataques até a próxima terça-feira (10 de abril). Segundo Ban, a promessa feita pelo regime sírio não deve servir como "desculpa para continuar matando".

Ele disse que "condena o ataque das autoridades sírias contra civis inocentes, incluindo mulheres e crianças, apesar do compromisso assumido pela Síria de parar de usar todo tipo de armamento pesado em centros populosos".

O acordo de cessar-fogo foi mediado pelo ex-secretário-geral Kofi Annan, que agora é enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria. No entanto, a oposição síria, os Estados Unidos e outros países da região expressaram ceticismo quanto ao grau de comprometimento da Síria.

Crise de refugiados

O aumento da violência tem provocado a fuga em massa de refugiados para a Turquia. O governo turco disse que pode precisar de ajuda da ONU para conseguir lidar com a situação humanitária na fronteira.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que desde que o presidente sírio, Bashar Al-Assad, aceitou a proposta feita por Kofi Annan, a quantidade de refugiados chegando à Turquia duplicou.

Em 36 horas, mas de 2,8 mil sírios passaram pela fronteira. Segundo Davutoglu, o número total de refugiados sírios na Turquia já se aproxima de 24 mil.

Muitos dos que chegaram na sexta-feira disseram que a violência aumentou. A oposição acusa o governo sírio de intensificar os bombardeios na véspera do cessar-fogo. No entanto, o regime sírio diz que são os manifestantes que estão se tornando mais violentos, e se aproveitando da retirada de tropas oficiais de algumas cidades.

Segundo Jim Muir, correspondente da BBC em Beirute, no Líbano, o cessar-fogo parece ter provocado um aumento da violência, em vez de apaziguar os ânimos.

Uma equipe de enviados da ONU está em Damasco para negociar a chegada de observadores internacionais, que supervisionariam o processo de cessar-fogo. Annan diz que caso as negociações sejam bem-sucedidas, uma equipe de 200 a 250 monitores pode ser despachada para a Síria.

A ONU estima que nove mil pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a insurgência contra o regime de Al-Assad. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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