Apesar de proximidade de cessar-fogo, mais de cem morrem na Síria

Governo e oposição aceitaram interromper conflito a partir do dia 10, mas data tem provocado um aumento, e não redução, da violência.

BBC Brasil, BBC

07 de abril de 2012 | 19h30

Ativistas informaram que mais de cem pessoas morreram neste sábado em novos confrontos na Síria, onde forças do governo e manifestantes de oposição se enfrentam desde março do ano passado.

Mais de 40 civis teriam morrido apenas no distrito de Latamneh, na cidade de Hama. Segundo ativistas, forças do governo sírio bombardearam o bairro.

Um vídeo revelou que outras 13 pessoas teriam sido mortas na cidade de Homs, no que parece ter sido uma execução sumária. No entanto, a informação não pode ser confirmada de forma independente.

O número de 107 mortes, incluindo 74 civis, foi divulgado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organização baseada em Londres.

Outro grupo que monitora a situação na Síria, o Comitê de Coordenação Local, forneceu o número 133 mortos, sem incluir os membros das forças de segurança sírias.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, criticou o governo sírio por lançar novas ofensivas militares.

O governo sírio havia concordado em cessar todos ataques até a próxima terça-feira (10 de abril). Segundo Ban, a promessa feita pelo regime sírio não deve servir como "desculpa para continuar matando".

Ele disse que "condena o ataque das autoridades sírias contra civis inocentes, incluindo mulheres e crianças, apesar do compromisso assumido pela Síria de parar de usar todo tipo de armamento pesado em centros populosos".

O acordo de cessar-fogo foi mediado pelo ex-secretário-geral Kofi Annan, que agora é enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria. No entanto, a oposição síria, os Estados Unidos e outros países da região expressaram ceticismo quanto ao grau de comprometimento da Síria.

Mortes e manifestação

Vídeos feitos por ativistas e divulgados na internet mostram que, em Latamneh, corpos foram colocados em veículos e levados embora enquanto os moradores olhavam chocados.

Mais ao sul do país, no bairro de Deir al-Baalba, na cidade de Homs, ativistas afirmam que o bombardeio do governo continou neste sábado.

Outro vídeo, que não pode passar por uma verificação independente, mostrou na mesma região 13 corpos caídos no chão em frente a uma parede marcada de sangue e com buracos de balas, o que sugere uma execução sumária.

Fotos de satélite divulgadas pelo embaixador americano em Damasco, Robert Ford, mostraram que a artilharia e os tanques sírios ainda estão posicionados perto de áreas populosas nesta semana.

"Isto não é uma redução na ofensiva das operações de segurança do governo sírio que todos afirmam ser o primeiro passo para que a iniciativa (de Kofi) Annan seja bem sucedida", disse Ford em Washington.

Neste sábado, apesar dos relatos de mais mortes e bombardeios, milhares de partidários de Bashar al-Assad foram para as ruas de Damasco para marcar os 65 anos do Partido Baath, do governo.

Crise de refugiados

O aumento da violência tem provocado a fuga em massa de refugiados para a Turquia. O governo turco disse que pode precisar de ajuda da ONU para conseguir lidar com a situação humanitária na fronteira.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que desde que o presidente sírio, Bashar Al-Assad, aceitou a proposta feita por Kofi Annan, a quantidade de refugiados chegando à Turquia duplicou.

Em 36 horas, mas de 2,8 mil sírios passaram pela fronteira. Segundo Davutoglu, o número total de refugiados sírios na Turquia já se aproxima de 24 mil.

Muitos dos que chegaram na sexta-feira disseram que a violência aumentou. A oposição acusa o governo sírio de intensificar os bombardeios na véspera do cessar-fogo. No entanto, o regime sírio diz que são os manifestantes que estão se tornando mais violentos, e se aproveitando da retirada de tropas oficiais de algumas cidades.

Segundo Jim Muir, correspondente da BBC em Beirute, no Líbano, o cessar-fogo parece ter provocado um aumento da violência, em vez de apaziguar os ânimos.

Uma equipe de enviados da ONU está em Damasco para negociar a chegada de observadores internacionais, que supervisionariam o processo de cessar-fogo. Annan diz que caso as negociações sejam bem-sucedidas, uma equipe de 200 a 250 monitores pode ser despachada para a Síria.

A ONU estima que nove mil pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a insurgência contra o regime de Al-Assad. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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