Yves Herman/Pool/AFP
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Apesar de queda no número de casos de covid-19, governo alemão não aliviará restrições

Nas últimas 24 horas, foram verificados 16.947 infectados, número bem inferior ao de sábado que teve 22.461 casos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 06h58

BERLIM - O governo da Alemanha não considera flexibilizar as atuais restrições à vida pública em vigor em novembro deste ano devido à pandemia do coronavírus, apesar de uma certa desaceleração das infecções observada nos últimos dias. "Fazer um balanço implica reconhecer que o número de infecções ainda é muito alto", disse o ministro da Economia, Peter Altmaier, em um comunicado ao popular diário "Bild" neste domingo, 15. 

“Apesar de todos os esforços, não tem sido possível dar uma guinada para melhor”, continuou a política, da União Democrática Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, acrescentando que deve haver restrições em vários níveis por quatro ou cinco meses Mais. Merkel fará uma reunião virtual com líderes regionais nesta segunda-feira, 16, para analisar a situação. Lá, a evolução da pandemia será avaliada nas duas semanas transcorridas desde a entrada em vigor das restrições previstas para todo o mês de novembro. 

Nas últimas 24 horas, foram verificados 16.947 casos de covid-19, com 107 óbitos, segundo o Instituto Robert Koch (RKI). O número é bem inferior ao de sábado, 14, -22.461 casos-, que já era uma diminuição em relação ao registrado na sexta-feira, 13, quando com 23.542 infecções foi marcado um novo máximo diário. O declínio nos números de domingo é comum, uma vez que nem todas as propriedades do país atualizam os dados no fim de semana. 

O fator essencial para a tomada de decisão é a incidência de novas infecções há sete dias e 100 mil habitantes, sendo que a média nacional é, de acordo com esse cálculo acumulado, mais de 141 casos. Em outras palavras, bem acima dos 50 contágios devido à população e contagem de tempo definida pelo RKI como o limite a partir do qual a qualificação da zona de risco é inserida. 

No total, o número de infecções verificadas durante a pandemia na Alemanha é de 790.503, com 12.485 mortes. Cerca de 502.300 são considerados pacientes recuperados.

O encontro de Angela Merkel e as potências regionais ocorre duas semanas após o fechamento de espaços de gastronomia, vida noturna, vida cultural e esportes. Lojas e escolas permaneceram abertas, apesar das dificuldades decorrentes do contágio entre os alunos e o corpo docente. Cerca de 300 mil alunos - de um total de 11 milhões na Alemanha - e cerca de 30 mil professores - entre os 800 mil do país - estão em quarentena, de acordo com dados do setor divulgados esta semana. 

Protestos

Frankfurt viveu uma manifestação de milhares de pessoas contra as restrições neste sábado, pontuada por incidentes derivados da presença de outra passeata que denunciava que tais concentrações são capitalizadas pela extrema direita. 

Os protestos contra as restrições já acontecem em todo o país há meses, independentemente da evolução da pandemia. Os serviços secretos do Interior têm observado uma crescente radicalização e disposição para a violência, tanto contra os agentes como contra os meios de comunicação. 

A opinião da maioria é a favor das restrições em vigor. Segundo última apuração da televisão pública ZDF, 58% dos cidadãos consideram corretas, 26% acham que devem ser endurecidas, enquanto 14% as consideram exageradas. Outra pesquisa, neste caso do tabloide "Bild", sugere que 78% esperam que a gastronomia reabra em dezembro. 68% almejam que a cultura o faça, incluindo museus, salas de concerto, cinemas e teatros. / EFE

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