Apesar de reação forte, Olmert fala em diálogo

Mas exigências feitas à Síria tornam um acordo improvável, diz analista

Angela Perez, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse ontem que respeita o presidente sírio, Bashar Assad, e está preparado para negociações de paz com a Síria - desde que as condições sejam apropriadas -, apesar do ataque aéreo lançado no início do mês. Israel indicou três meses atrás estar disposto a trocar as Colinas do Golan por paz, mas fez exigências que tornam improvável qualquer negociação, disse ao Estado, por telefone, Ahron Bregman, do Departamento de Estudos de Guerra do Kings College, de Londres.Para devolver o Golan, capturado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel exige que o presidente sírio rompa relações com o Irã e pare de apoiar grupos radicais como o palestino Hamas e o xiita libanês Hezbollah. "A Síria considera as exigências de Israel ridículas. Algo que os israelenses esperam da Síria, mas não de outros países com que Israel assinou acordos de paz. Os sírios perguntam: ?Houve tais exigências ao Egito em 1979 ou à Jordânia em 1994??", disse o especialista em Oriente Médio. "Os sírios vêem a oferta de Israel como uma tentativa de interferir em sua política externa."Assad, que assumiu o poder em 2000 após a morte do pai dele, Hafez Assad, não parece o parceiro ideal para negociações de paz com Israel. Principalmente agora que se sente mais confiante. Em 2005, num grande revés para Assad, o Exército sírio foi forçado a retirar seus 14 mil soldados do sul do Líbano, após 29 anos de ocupação. Mas Assad manteve seu apoio ao Hezbollah e quando Israel não conseguiu derrotar o grupo na guerra de 2006, o presidente sírio saiu fortalecido."Assad não parece disposto a abrir mão de sua aliança com o Irã ou parar de apoiar organizações como o Hezbollah", disse Bregman. Para Assad, o apoio ao Hamas e outros grupos militantes palestinos garantirá à Síria um papel em qualquer futuro esforço de acordo árabe-israelense. Já a aliança com o Irã traz à Síria apoio político e econômico e faz de Damasco o principal parceiro de Teerã. Isso apesar de o Irã ser xiita e a Síria ter maioria sunita.No passado, funcionários americanos disseram que Washington não queria Israel negociando com a Síria por causa de suas ligações com o Irã e militantes no Iraque e por sua interferência no Líbano. Em junho, o jornal israelense Yediot Ahronot disse que o presidente George W. Bush deu a Olmert sinal verde para negociar com Damasco. Segundo Bregman, Bush não mudou de opinião sobre a Síria, apenas deu autorização para que Olmert investigasse as intenções de Damasco. "Pelo ponto de vista dos americanos, essa sondagem poderia reduzir a atual tensão entre Israel e Síria, pelo menos enquanto conversam não lutam", disse o especialista, referindo-se às informações da inteligência israelense de que a Síria vem mobilizando tropas, aparentemente preparando-se para uma guerra. "Qualquer negociação séria entre Israel e Síria exigiria o envolvimento diplomático dos EUA e principalmente financeiro", acrescentou. COM REUTERS

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