Apesar de relação turbulenta, países mantêm comércio

As relações diplomáticas entre os EUA e a Venezuela são contraditórias. Apesar de adotarem um tom agressivo em debates ideológicos sobre o destino do continente e mesmo de outras partes do mundo, como no Irã, sempre se posicionando em lados opostos, os dois países mantêm um intenso comércio bilateral.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Os americanos são os principais parceiros comerciais da Venezuela, já que os EUA são o destino de mais da metade das exportações venezuelanas. Ao mesmo tempo, Caracas é um dos quatro maiores fornecedores de petróleo aos americanos. Ao longo dos 12 anos em que Hugo Chávez está no poder, esse cenário nunca se alterou.

Na crise de Honduras, em 2009, chegou a haver um temor de que americanos e venezuelanos se tomassem direções opostas. No entanto, os dois governos consideraram a deposição de Manuel Zelaya como golpe e Chávez não pôde utilizar o episódio para atacar o governo de Barack Obama.

Washington e Caracas divergem também em relação a Cuba - mas, neste ponto, os americanos adotam posições distintas da de outros países aliados. Os EUA também mantêm estreitas relações com a Colômbia, apoiando Bogotá no combate ao tráfico. Segundo Washington, há informações de que a Venezuela dá suporte às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Diferentemente do que ocorre com outros países considerados hostis pelos EUA, como Cuba e Coreia do Norte, a Venezuela não é alvo de sanções unilaterais do Congresso americano. O intercâmbio entre os dois países segue existindo normalmente, apesar das provocações de Chávez. A tática americana para lidar com o venezuelano ao longo dos últimos anos tem sido a de ignorar suas provocações. É o oposto do que Washington faz com o Irã.

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