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Apesar de retirada, EUA mantêm campanha de bombardeios no Afeganistão contra o Taleban

Após saída dos soltados, estratégia militar americana apoia as vacilantes forças afegãs diante dos insurgentes

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 17h25

CABUL  - Os EUA continuarão seus ataques aéreos em apoio às forças afegãs se o Taleban não interromper a ofensiva no país, advertiu neste domingo, 25, em Cabul o chefe de operações militares americanas no Afeganistão, general Kenneth McKenzie. A milícia radical vem tomando conta de grandes zonas rurais afegãs desde o início de sua ofensiva, em maio, ao mesmo tempo que a maioria dos 9,5 mil soldados estrangeiros já deixou o país.

As forças afegãs têm oferecido pouca resistência e essencialmente controlam apenas as capitais das províncias e as principais estradas do país. No sábado, o governo afegão declarou um toque de recolher noturno em todo o território, exceto em três províncias, uma delas Cabul, em uma tentativa de conter o avanço nas áreas urbanas.

“Gostaria de deixar claro, o governo do Afeganistão será submetido a severos testes nos próximos dias. O Taleban está tentando tornar sua campanha irreversível. Mas eles estão errados”, disse McKenzie. 

Como chefe do Comando Central do Exército dos EUA (Centcom), que supervisiona as atividades militares americanos em 20 países no Oriente Médio e na Ásia Central e do Sul, McKenzie lidera as operações militares no Afeganistão desde o dia 12, quando o general Austin Scott Miller deixou o posto com a retirada dos soldados americanos.

O recente avanço relâmpago do Taleban gerou temores de que eles recuperem o poder, quase 20 anos depois de serem derrubados por uma coalizão internacional liderada pelos EUA devido à recusa em entregar o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, após os ataques de 11 de Setembro

Aviões militares dos EUA atingiram várias posições do Taleban na semana passada em apoio às vacilantes forças do governo afegão, em uma das primeiras reações americanas significativas ao avanço violento dos insurgentes.

Pelo menos um dos ataques foi contra as posições do Taleban em Kandahar. A Província de Kandahar, no coração étnico pashtun do país, foi o berço do Taleban na década de 90, quando o grupo assumiu o controle de todo o país. Nas últimas semanas, o Taleban capturou áreas ao redor da capital provincial de mesmo nome, a maior cidade do sul do Afeganistão, e penetrou na cidade.

O Taleban chamou os ataques de desobediência ao acordo de retirada do ano passado com os americanos e alertou sobre consequências não especificadas – uma indicação de que os ataques aéreos tiveram um impacto sobre o grupo.

A escala e o ritmo do avanço do Taleban provocaram alarme entre as principais autoridades militares e civis dos EUA nos últimos dias. O Taleban agora ameaça a maioria das 34 capitais de província do Afeganistão e até mesmo Cabul. O grupo invadiu mais da metade dos 400 distritos do país, em muitos casos capturando-os sem luta.

Os ataques aéreos da semana passada ocorreram na quarta e quinta-feira e refletem o nível de preocupação americana e a necessidade contínua dos militares afegãos de apoio aéreo dos EUA, enquanto Washington tenta encerrar quase 20 anos de guerra no país. Os EUA e outras grandes potências estão pressionando por um acordo de paz entre o Taleban e o governo afegão, mas o grupo insurgente acredita que está ganhando a guerra, deixando pouco incentivo para negociar. 

Os EUA não têm mais aeronaves de combate estacionadas no Afeganistão. Os aviões ou drones usados na última semana estariam baseados no Golfo Pérsico ou no porta-aviões Ronald Reagan nas proximidades./AFP, REUTERS e NYT

 

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