REUTERS/Khalil Ashawi
REUTERS/Khalil Ashawi

Apesar de trégua em Alepo, forças do governo sírio e rebeldes entram em conflito

Em resposta às alegações da ONU - que esperaria por garantias de todas as partes quanto à segurança antes de levar ajuda humanitária à cidade síria - porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo garante que não há impedimento para a chegada de ajuda à região

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 11h32

BEIRUTE - As forças de segurança do governo da Síria entraram em conflito nesta quarta-feira, 19, com facções rebeldes e islâmicas, incluindo a Frente da Conquista do Levante, ex-filial da Al-Qaeda, no norte e sul de Alepo, embora esteja vigorando uma "pausa humanitária" anunciada pela Rússia.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), os combates acontecem na região Projeto 1070 e Al Sabquia, no sul da província, assim como nos distritos de Al Auiya e Al Andarat, na região norte de Alepo.

Já nos bairros do leste da província, sitiados pelo Exército e controlados pela oposição, há uma calma relativa desde a manhã de segunda-feira, quando a Rússia anunciou cessação dos bombardeios e ataques de artilharia.

O governo de Moscou informou que adotou a medida para facilitar a chamada "pausa humanitária" de oito horas em Alepo.

Na terça-feira, a ONU afirmou que espera por garantias de todas as partes a respeito da segurança antes de levar ajuda humanitária à cidade síria. "Quando as armas se calarem, precisaremos que todas as armas estejam em silêncio", declarou Jens Laerke, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos da ONU (OCHA). "Necessitamos de garantias de todas as partes do conflito. Não apenas de um anúncio unilateral", acrescentou.

Apesar das declarações da organização, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, garantiu nesta quarta-feira que não há impedimento para a chegada da ajuda da ONU à região.

"O que impede os representantes da ONU ajudar no fornecimento de cargas humanitárias e iniciar a solução da situação humanitária?", questionou a representante do governo russo em entrevista coletiva.

De acordo com Maria, a Rússia assumiu as obrigações anunciadas pelo Ministério da Defesa, de cessar temporariamente os bombardeios contra "os elementos terroristas em Alepo".

Ações continuarão. O presidente da Síria, Bashar Assad, garantiu em entrevista que está determinado a continuar atacando Alepo, com auxílio de tropas deslocadas pela Rússia, para eliminar rebeldes que estão na cidade.

"É nossa missão, de acordo com a lei e a Constituição. Temos de proteger o povo e nos livrarmos desses terroristas de Alepo", afirmou o chefe de Estado à emissora suíça SRF.

Assad se referiu na entrevista a todos os grupos rebeldes armados que lutam contra seu regime, não apenas os jihadistas da Frente Al-Nusra, que a ONU reconhece como organização terrorista, como também do Estado Islâmico.

De acordo com o presidente, a ofensiva, que não faz distinção entre zonas residenciais do leste de Alepo, controlada por rebeldes, e outras, disse que essa é a única forma de proteger os civis, que estão sendo assassinados pelos terroristas. / EFE e AFP

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