Apesar de trégua, Hamas e Fatah voltam a se enfrentar

Apesar da trégua acertada no domingo, as lideranças do grupo islâmico Hamas e do laico Fatah não foram capazes de controlar os embates entre os seus integrantes na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde a situação nesta segunda-feira, 18, continuava fora de controle. No episódio mais violento do dia, um grupo de homens atacou a organização "Vida e Esperança", entidade ligada ao Fatah com sede no campo de refugiados de Jabaliya, matando uma pessoa e ferindo outras oito.Cinco integrantes do Hamas e nove do Fatah, incluindo o irmão de um deputado, foram seqüestrados em incidentes em outras regiões. Em Gaza, cerca de 20 homens mascarados trocaram tiros, deixando um adolescente de 16 anos gravemente ferido, com uma bala no pescoço. O número de militantes armados nas ruas diminuiu, mas o clima de tensão ainda era grande e havia a sensação de que novas explosões de violência poderiam ocorrer a qualquer momento. No mais audacioso seqüestro, Sufian Abu Zaydeh, ex-ministro de Gabinete e parte do alto escalão do Fatah em Gaza, foi capturado por militantes do Hamas enquanto dirigia sozinho voltando para casa nestas segunda-feira. Ele foi liberado ileso menos de uma hora depois. ConflitoOs dois principais grupos políticos palestinos estão se enfrentando nas ruas de Cisjordânia e da Faixa de Gaza desde sábado, quando o presidente Mahmud Abbas, do Fatah, anunciou a convocação de eleições antecipadas - o que levará à dissolução do governo do premiê Ismail Haniye, do Hamas. No domingo, militantes do Hamas chegaram a abrir fogo contra a casa de Abbas, num episódio que reacendeu o medo de uma guerra civil no país. "Estamos em crise há nove meses, as pessoas não podem esperar mais", disse Abbas.Desde março, quando Haniye assumiu o cargo, a comunidade internacional impôs sanções econômicas à Autoridade Nacional Palestina, o que está deteriorando as condições de vida na região, deixando a região sem recursos externos - cerca de US$ 1 bilhão anuais para todos os tipo de infra-estrutura e pagamento de servidores. Com a pressão internacional, em setembro o Hamas concordou em iniciar as negociações para formar um governo de coalizão, que incluiria o Fatah. O objetivo era convencer a comunidade internacional - e principalmente os EUA e a Europa, que consideram o Hamas um grupo terrorista - a terminar o bloqueio. Porém, o diálogo chegou a um impasse no final do mês passado por causa da recusa do grupo islâmico em reconhecer o Estado de Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos de paz assinados previamente - exigências das grandes potências para reconhecer o novo governo de coalizão. Sem mais alternativas, Abbas resolveu convocar eleições antecipadas. Mas o Hamas classificou a decisão como uma "tentativa de golpe" contra o seu governo.

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