Apesar de trégua, homens armados seguem nas ruas de Gaza

Um cessar-fogo entre facções palestinas rivais parece estar vigorando com sucesso na terça-feira, permitindo que as pessoas saiam de casa pela primeira vez em cinco dias. Lojas foram reabertas e o trânsito voltou a ficar caótico nas estreitas ruas de Gaza."Estamos muito felizes e espero que desta vez o cessar-fogo dure", disse Yahya Zaki, dono de uma loja de roupas. Alguns homens armados permanecem nas ruas da Faixa de Gaza, e a presença policial é limitada, mas sem relatos de graves incidentes.A trégua entrou em vigor depois que o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do grupo Hamas, se reuniu na segunda-feira com um assessor do presidente Mahmoud Abbas, da facção Fatah. Os dois grupos vivem uma disputa de poder desde o ano passado, quando o Hamas venceu as eleições palestinas, atraindo sanções internacionais devido à sua recusa em reconhecer a existência de Israel, abandonar a violência e respeitar acordos de paz prévios.A onda de violência interna iniciada na quinta-feira é a mais intensa desde o início do governo do Hamas, em março de 2006. Os incidentes prejudicam as negociações para a formação de um governo de unidade nacional. Algumas famílias fugiram de Gaza devido aos confrontos. Comércio e escolas passaram cinco dias fechados.Enquanto militantes de ambas as facções recolhiam suas barreiras improvisadas nas ruas, alguns combatentes do Fatah continuavam visíveis na Cidade de Gaza, protegendo as residências oficiais de Abbas e de outro dirigente, além da sede de um órgão de segurança leal ao Fatah.O cessar-fogo também prevê a libertação de reféns capturados por ambas as partes e uma intensificação da presença policial, parcialmente cumprida na terça-feira em Gaza. Não há notícias sobre a libertação dos reféns."Não há interesse palestino numa luta interna palestina, todas as partes são perdedoras nesta batalha. A verdadeira batalha é contra a ocupação [israelense]", disse Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas.Tawfiq Abu Khoussa, porta-voz do Fatah na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, disse que a facção "tem uma boa e séria intenção de fazer esse acordo [de cessar-fogo] ter sucesso". Tréguas anteriores, como a do mês passado, foram brevíssimas. IsraelUm dia depois da morte de três pessoas em um atentado suicida cometido por um palestino de Gaza em Eilat, balneário israelense no mar Vermelho, o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, prometeu medidas, mas não informou onde, quando ou contra o quê os militares agirão."A iniciativa será nossa, e não temos intenção de divulgar o que pretendemos fazer", disse Peretz durante visita à porosa fronteira com o Egito, perto de Eilat.Na sexta-feira, o chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio se reúne em Washington, e Israel naturalmente deve agir com cautela para não ameaçar a iniciativa diplomática promovida por seu principal aliado, os Estados Unidos.Em comentários feitos na segunda-feira após o atentado em Eilat, Peretz disse que Israel fará "de tudo para preservar" a trégua estabelecida há dois meses em Gaza com os militantes palestinos.O atentado suicida, reivindicado pela Jihad Islâmica e pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa (ligadas ao Fatah), foi o primeiro ocorrido em Israel nos últimos nove meses.

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