Denis Balibouse/Pool/EFE/EPA
Denis Balibouse/Pool/EFE/EPA

Apesar do alto padrão de vida, suíços estão entre os mais infectados pelo coronavírus

Índice de contaminação é semelhante ao da Espanha; proximidade com áreas muito afetadas, regime de testes mais amplo e demora para paralisar atividades de esqui estão entre os motivos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2020 | 08h00
Atualizado 04 de abril de 2020 | 14h23

ZURIQUE - A Suíça tem um dos padrões de vida mais altos do mundo e um dos melhores sistemas de saúde da Europa. Uma vasta rede hospitalar e taxas elevadas de médicos e enfermeiros por habitante. Mesmo assim, o país tem quase 20 mil infectados pelo novo coronavírus, um número desproporcional, se comparado à população.

São 2.265 contaminados em cada 1 milhão de habitantes, um índice quase equivalente ao da Espanha, que tem 2.518 casos confirmados em cada 1 milhão de habitantes – apesar de o número de mortes continuar baixo, 591 até ontem.

Mas por que a Suíça tem tantos infectados? Alguns fatores explicam o quadro. O primeiro é simplesmente a proximidade com uma das áreas mais afetadas do mundo, o norte da Itália. Em 25 de março, somente o cantão de Ticino, que faz fronteira com Piemonte e Lombardia, registrou 53 mortos, mais de um terço do total de mortes em todo o país naquele dia. O cantão tem apenas 4% da população suíça. 

A proximidade não é o único fator. A Suíça é mais dependente do que a maioria dos países europeus de trabalhadores temporários. Por isso, apesar de alguns postos fechados, as fronteiras continuaram abertas em algumas áreas para a passagem dessa mão de obra. 

Outro fator, como vem sendo relatado na mídia alemã, é o fato de a Suíça ter um regime de testes mais amplo do que outros países afetados, embora nem todos os casos suspeitos sejam testados. No início da pandemia, o governo suíço não deu prioridade aos testes, acreditando que era tarde demais e poderia sobrecarregar os hospitais. Mas, gradualmente, o país passou de 2,5 mil testes por dia para 6 mil e alguns cantões começaram a abrir os primeiros centros de testes drive-thru para coronavírus. Hoje, apenas Emirados Árabes, Noruega e Coreia do Sul testaram mais pessoas per capita do que a Suíça.

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Por fim, há ainda outro fator constantemente citado por ativistas que criticam as autoridades suíças por não terem respondido de maneira rápida à ameaça que surgia com a temporada de esqui. 

No pequeno cantão de Graubünden, um dos locais de esportes de inverno mais populares do país, houve uma taxa de infecção e mortalidade acima da média nacional. Antes de serem encerradas as atividades de esqui, 10% das mortes pela covid-19 foram registradas em Graubünden, cantão que tem apenas 2% da população suíça.

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