Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Apesar do avanço da covid-19, Nova York vai reabrir parcialmente escolas em dezembro

Enquanto isso, país se prepara para aumento dos contágios após aglomerações no Dia de Ação de Graças

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2020 | 11h10

NOVA YORK - A cidade de Nova York vai reabrir as escolas públicas primárias, que terão aulas presenciais para alunos do ensino fundamental e com necessidades especiais a partir de 7 de dezembro, apesar do aumento recente de casos do novo coronavírus. O anúncio foi feito no domingo, 29, pelo prefeito Bill de Blasio, sob pressão dos pais e famílias. 

O prefeito anunciou o abandono da ordem que determinava o fechamento de todas as escolas se a taxa de testes positivos superasse 3% durante sete dias seguidos, em um momento em que os casos aumentam em Nova York - o maior distrito escolar do país -, com a taxa atual em 3,1%. 

As aulas para alunos que não são do ensino fundamental e nem têm necessidades especiais continuarão 100% remotas. "Queremos nossas crianças tanto tempo quanto for possível na sala de aula. Nossas famílias também querem. Trabalharemos para que isto aconteça", disse o prefeito democrata.  Até agora, as aulas presenciais só foram disponibilizadas de duas a três vezes por semana.

"A reabertura das escolas na cidade de Nova York é a direção e a decisão corretas", disse o governador Andrew Cuomo, durante conferência de imprensa. "Em todo o mundo, funcionários de organizações, especialistas europeus e americanos, todos dizem que se a taxa de infecção nas escolas está sob controle, e está abaixo do nível da comunidade, é melhor que as crianças estejam na escola", acrescentou.

Os pais argumentam que a taxa de exames positivos nas escolas é muitíssimo mais baixa do que no resto da cidade e que o fechamento prejudica as crianças menos favorecidas - como as 60 mil que não têm computador - e as mães que trabalham.

As escolas de Nova York fecharam pela primeira vez em 16 de março, quando a cidade se tornou o epicentro nacional da pandemia. Em setembro,  Nova York foi a única grande cidade americana a reabrir as escolas particulares parcialmente para aulas presenciais, embora com um mês de atraso para instalar medidas de segurança negociadas com o sindicato de professores.

No entanto, do 1,1 milhão de alunos, apenas 300 mil aceitaram frequentar as aulas presenciais e o restante optou por um modelo 100% remoto.

A cidade suspendeu todas as aulas presenciais em 19 de novembro, em meio a uma segunda onda de covid-19, porque alcançou a marca de 3% de testes positivos, acordada com o sindicato dos professores para decretar o fechamento. Na época, a decisão enfureceu milhares de pais, que protestaram porque bares e restaurantes continuam abertos enquanto as escolas estão fechadas. 

Aumento de casos com o Dia de Ação de Graças

Nesse momento, os Estados Unidos se preparam para um forte aumento na curva de contágios após o feriado do Dia de Ação de Graças, que motivou o deslocamento de milhões de pessoas pelo país. País mais afetado do planeta pela pandemia, os EUA registram mais de 266 mil e 13,3 milhões de casos. 

Na quinta-feira passada, as famílias celebraram o Dia de Ação de Graças, que levou pelo menos 1,1 milhão de pessoas a viajar de avião - um recorde desde que a pandemia começou no país, em março, segundo dados da TSA, agência encarregada dos controles de segurança nos aeroportos.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, advertiu sobre o aumento de contágios e recomendou: "fechem os bares e mantenham as escolas abertas".

De acordo com dados da Administração de Segurança do Transporte (TSA), cerca de 800 mil a um milhão de pessoas passaram pelos postos de controle da instituição diariamente pouco antes e logo depois do feriado. A quantidade supera por muito o número de viajantes no começo da pandemia - em torno de 100 mil pessoas durante o segundo trimestre do ano. / AFP e NYT 

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