Apesar do cessar-fogo, militante do Hamas é morto em Gaza

Homens armadas mataram um comandante do Hamas na Faixa de Gaza, na terça-feira, e a organização islâmica responsabilizou um serviço de segurança ligado à Fatah pelo episódio, o primeiro assassinato ocorrido no território desde que um cessar-fogo entre os dois grupos entrou em vigor, durante a noite. Autoridades de um hospital da cidade de Khan Younis disseram que Hussein Shabasi tinha levado um tiro na cabeça. Um porta-voz do braço armado do Hamas afirmou que ele tinha sido morto pelo Serviço de Segurança Preventiva, cuja maior parte dos membros pertence à facção Fatah, ligada ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. O órgão negou estar envolvido no assassinato. O cessar-fogo, de toda forma, parecia estar sendo respeitado, o que permitiu que os moradores da região saíssem de casa pela primeira vez em cinco dias, que a lojas reabrissem suas portas e que os congestionamentos bloqueassem novamente as ruas estreitas da cidade de Gaza. A trégua entrou em vigor depois de o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, um líder do Hamas, ter se reunido com um assessor de Abbas, na segunda-feira, em um esforço para conter a violência interna cada vez mais grave e responsável pela morte de ao menos 30 palestinos. O conflito, iniciado na quinta-feira, foi o mais intenso a opor os palestinos desde que o Hamas, que rejeita manter negociações com Israel, derrotou a Fatah nas eleições gerais de janeiro do ano passado, levando países do Ocidente a suspenderem o envio de ajuda à região. "Estamos muito satisfeitos e esperamos que, desta vez, o cessar-fogo perdure", afirmou Yahya Zaki, proprietário de uma loja de roupas. Alguns homens armados continuavam patrulhando as ruas de cidades da Faixa de Gaza e poucos policiais podiam ser vistos. O conflito interno suspendeu as negociações, entre o Hamas e a Fatah, sobre a formação de um governo de unidade nacional e fizeram com que algumas famílias abandonassem suas casas na Faixa de Gaza. "Espero que a calma e a estabilidade durem a fim de que possamos retomar o diálogo sobre a formação de um governo de unidade nacional", disse Haniyeh, depois de a trégua ter entrado em vigor. Acordos semelhantes selados no passado, entre os quais um do mês passado, tiveram vida curta. Lojas e escolas ficaram fechadas nos últimos cinco dias, enquanto o barulho de tiroteios ecoava pelas cidades do pequeno e densamente habitado território, onde moram 1,5 milhão de palestinos. Troca de reféns Apesar de os combatentes das duas facções estarem desmobilizando seus postos de controle, alguns integrantes da Fatah ainda podiam ser vistos na cidade de Gaza, protegendo as residências oficiais de Abbas e um importante líder do grupo, bem como a sede de um serviço de segurança que seria ligado ao presidente. O cessar-fogo também exige que o Hamas e a Fatah libertem seus reféns e que a polícia palestina assuma o controle das ruas. Samih al-Madhoun, um importante líder das Brigadas de Mártires de al-Aqsa, afirmou que o grupo havia fornecido ao Hamas uma lista de seus membros feitos reféns e que esperava receber um documento semelhante do grupo islâmico, a fim de que uma troca de reféns possa ser negociada. Um dia depois de um homem-bomba vindo da Faixa de Gaza ter matado três pessoas no balneário israelense de Eliat, à beira do mar Vermelho, o ministro israelense de Defesa, Amir Peretz, prometeu que o Estado judaico entraria em ação, mas não forneceu pistas sobre contra quem, onde ou quando aconteceria uma eventual operação militar. "A iniciativa será nossa e não pretendemos divulgar nossos planos", afirmou Peretz, em declarações divulgadas durante uma visita à região da fronteira com o Egito, perto de Eliat.

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