Apesar do cessar-fogo, tropas russas ficam na Geórgia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, sinalizou hoje que as tropas russas não têm um prazo para se retirarem da Geórgia. A retirada, disse, vai levar "o tempo necessário". Lavrov afirmou que a saída dependerá da implementação de "medidas de segurança adicionais", que não foram especificadas, e acusou a Geórgia de minar a segurança. "Isso não depende apenas de nós", declarou Lavrov. "Estamos constantemente encontrando problemas do lado georgiano e tudo dependerá de quão efetiva e rapidamente estes problemas serão resolvidos." Os soldados russos haviam cavado trincheiras rasas no centro de Igoeti, a cerca de 50 km de Tbilisi, mas as abandonaram hoje após serem informados que o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, tinha assinado o acordo de cessar-fogo. Tanques e militares russos continuavam numa colina nos limites de Igoeti e não havia sinais de uma retirada imediata da estratégica cidade de Gori. Segundo a Geórgia, em Gori, a presença das forças russas cortaram o país ao meio. O acordo de cessar-fogo deve abrir caminho para a retirada russa, depois de mais de uma semana de guerra na ex-república soviética que está no centro do aumento das tensões entre a Rússia e o Ocidente. O acordo, também assinado um dia antes pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakshvili, prevê que as forças russas e georgianas recuem para as posições que mantinham antes do início dos combates em 8 de agosto. A Geórgia havia lançado uma ampla ofensiva para tentar controlar a região separatista apoiada pela Rússia de Ossétia do Sul. O Exército russo rapidamente superou as forças do vizinho menor apoiado pelos Estados Unidos e as tropas de Moscou avançaram sobre a Geórgia. A tomada de territórios pela Rússia, incluindo Gori e suas posições em Igoeti, desencadearam temores de que a Rússia planeje ocupar permanentemente o país que foi parte de seu império.

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