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Apesar do coronavírus, países têm manifestações contra o racismo

Inglaterra, França e Austrália tiveram atos públicos, mesmo com regras de isolamento social em vigor

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2020 | 16h49

Milhares de manifestantes se reúnem neste sábado, 13, apesar da pandemia do novo coronavírus, para protestar contra o racismo e a violência policial. Os atos, que começaram nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, o homem negro de 46 anos que morreu em 25 de maio em Minneapolis, sufocado por um policial branco, se espalharam pelo mundo.

Na França, milhares de pessoas saíram às ruas de Paris e outras cidades em um meio a uma crescente de queixas das próprias forças de segurança que se declaram "abandonadas" pelo governo. Na capital, os manifestantes se reuniram na Praça da República de forma pacífica, mas a tensão aumentou, com lançamento de gás lacrimogêneo pela polícia e esporadicamente de objetos e garrafas por parte de alguns manifestantes.

Os atos em Paris foram convocados pelo comitê que leva o nome de Adama Traoré, um jovem negro morto em 2016 após ser preso pela guarda na região parisiana. Também estão previstos para este sábado protestos em Marselha (sudeste), Lyon (centro-leste), Montpellier (sul), Nantes e Saint-Nazaire (oeste), assim como em Estrasburgo (leste) no domingo, quando o presidente Emmanuel Macron deve fazer um pronunciamento à nação.

Na Inglaterra, as manifestações se concentraram na capital Londres, enquanto militantes da extrema direita se mobilizaram perto do Parlamento em torno de estátuas que afirmam querer proteger, o que criou uma atmosfera tensa.

A ministra do Interior, Pritti Patel, retuitou um vídeo de manifestantes de extrema direita criticando a polícia e denunciou uma "violência inaceitável". Ela pediu aos manifestantes que retornassem às suas casas para impedir a propagação do coronavírus e, assim, "salvar vidas".

Apesar do movimento Black Lives Matter ter cancelado o protesto que planejava realizar à tarde no centro da capital, centenas de pessoas se reuniram no Hyde Park antes de se dirigir ao Parlamento, após pedidos da polícia por um percurso preciso, a fim de evitar um confronto com a extrema direita.

No fim de semana passado, a estátua do ex-primeiro-ministro Winston Churchill, que fica perto do Parlamento, foi pichada com a inscrição "era um racista". Churchill é acusado de ter feito declarações racistas, especialmente contra os indianos.

O neto de Winston Churchill e ex-ministro conservador Nicholas Soames condenou o que ele chamou de atos "covardes".

Depois que outras estátuas simbolizando o passado colonial do país foram atacadas, como a de um comerciante de escravos que foi arrancada em Bristol, decidiu-se proteger as de Nelson Mandela e Gandhi, perto do Parlamento, e a de Winston Churchill, que foi coberta com placas de metal. 

Fora da Europa

Na Austrália, milhares de pessoas saíram às ruas mesmo após autoridades desaconselharem a realização de atos por temer um aumento no número de casos de coronavírus.

A principal manifestação no país da Oceania foi na cidade de Perth, onde os manifestantes levaram bandeiras com símbolos aborígenes e cartazes com apoio ao movimento Black Lives Matter. Também foram realizadas manifestações em Darwin (norte) e Queensland (noroeste).

Durante o fim de semana, também estão previstas manifestações em cidades brasileiras. Apesar da pauta principal dos movimentos ser a oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro, no último domingo, 7, a adesão de coletivos do movimento negro foi visível. Palavras de ordem pedindo o fim do racismo e cartazes do movimento norte-americano também tiveram vez nas manifestações brasileiras./ Com informações de agências internacionais

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