David Mdzinarishvili/Reuters
David Mdzinarishvili/Reuters

Apesar do frio, eleitores vão às urnas na Rússia; Putin é favorito com 70% das intenções de voto

Cerca de 110 milhões de russos estão convocados às urnas para escolher o futuro líder do país

O Estado de S.Paulo

18 Março 2018 | 02h47

MOSCOU - As seções eleitorais abriram neste domingo, 18, em Moscou e em toda a parte central da Rússia para as eleições presidenciais, nas quais cerca de 110 milhões de russos foram convocados às urnas para escolher o futuro líder do país.

A jornada eleitoral começou há nove horas em Kamchatka, Chukotka e Magadan, as regiões mais orientais do país.

Como em todo o país, os cidadãos poderão votar até as 20h locais, e depois disso começará a apuração.

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O extenso território da Rússia abrange 11 fusos horários, por isso a jornada de votação levará 21 horas até ser concluída no território de Kaliningrado, a parte mais ocidental do país, onde as seções fecharão às 18h GMT (15h em Brasília) deste domingo.

A votação ocorrerá em mais de 97 mil seções eleitorais na Rússia e em outras 400 em 145 países de todo o planeta, embora os russos que vivem na Ucrânia não poderão exercer seu direito ao voto.

Expectativas. A afluência às urnas nas eleições presidenciais que ocorrem neste domingo na Rússia está sendo bem maior que a dos últimos pleitos, com 16,55% dos eleitores já tendo votado em todo o país até as 10h (hora local; 4h em Brasília) frente aos 6,53% de 2012, segundo informou a Comissão Eleitoral Central (CEC).

"Às 10h de Moscou (duas horas depois do início da votação), a participação nas eleições presidenciais de 2000 era de 6,36%; em 2004, de 9,01%; em 2008, de 8,94%; e em 2012, de 6,53%. Nesta ocasião, é de 16,55%", disse a presidente do CEC, Ela Panfilova.

Quanto a Moscou, duas horas depois da abertura dos centros de votação, 5,98% dos eleitores já tinham votado. Em 2012, esse número era 3,7%.

Isso tudo apesar do frio que domina a capital russa neste domingo, com média de -10ºC, algo totalmente incomum para o mês de março.

Segundo todas as pesquisas, o presidente Vladimir Putin receberá o apoio de 70% dos eleitores e será reeleito, mas as autoridades buscam a maior participação possível para enaltecer essa vitória.

Conforme visto pela Agência Efe nesta manhã, em um centro de votação no bairro de Park Kultury de Moscou, uma voluntária vestida de vermelho atendia crianças na entrada enquanto os pais entravam para votar. 

Enquanto em Moscou mal começou a jornada eleitoral, em regiões do Extremo Oriente, como a península de Kamchatka e a região de Chukotka os colégios já fecharam.

Cerca de 110 milhões de russos foram convocados às urnas nestas eleições, nas quais, além de Putin, outros sete candidatos concorrem sem nenhuma possibilidade real de ganhar. 

O governo desse país anunciou que não lhes permitirá entrar nas legações diplomáticas russas em seu território, já que considera a Rússia um "país agressor" e suas eleições presidenciais, "ilegais".

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A Crimeia participa pela primeira vez em pleitos presidenciais russos e fará isso justamente no quarto aniversário da anexação da península ucraniana por Moscou.

Kiev advertiu aos cidadãos desse território - que considera ocupado e que não desistiu de recuperar - que aqueles que ajudem na promoção e organização do pleito serão perseguidos penalmente na Ucrânia.

Nesse sentido, o governo ucraniano já elaborou uma lista negra com os nomes dos crimeanos acusados desses "crimes" e pedirá à União Europeia que os sancione com a proibição de entrada em território comunitário.

Segundo todas as pesquisas, Putin ganhará com folga o pleito e chegará perto de obter o apoio de 70% dos eleitores, um resultado histórico.

Em segundo lugar em intenções de voto aparece o candidato comunista, o milionário stalinista Pavel Grudinin, com 7%, seguido pelo veterano líder ultranacionalista, Vladimir Zhirinovski, com 6%.

Oito candidatos à presidência da Rússia compareceram às urnas nas primeiras horas deste domingo

Quem chegou mais cedo foi o atual presidente do país, Vladimir Putin, favorito para obter outro mandato com cerca de 70% de apoio, segundo as pesquisas.

Putin votou na Academia das Ciências da Rússia, uma tradição que cumpre desde que chegou ao poder em 2000, e disse que se conformará com "qualquer apoio que o conceda o direito de ser presidente".

No mesmo local votou outro candidato ao Kremlin, o nacionalista Sergey Baburin, que aparece nas últimas posições de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

O candidato comunista Pavel Grudinin, diretor do Sovjoz Lenin, votou em um centro situado próximo à sua empresa agrícola. Ao falar com os jornalistas, Grudinin, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, com 7% de apoio, se mostrou confiante e beijou na bochecha cada um dos observadores presentes.

O ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, votou no oeste de Moscou. O veterano político russo, que concorre à presidência pela sexta vez, brincou com a imprensa ao ser perguntado se disputará em 2024.

"Não haverá mais eleições porque nestas elegeremos o governante do planeta Terra", disse Zhirinovsky, conhecido pelas declarações extravagantes.

O liberal Grigory Yavlinsky, outro veterano político do país, também votou em Moscou, assim como o comunista stalinista Maxim Suraykin, que estreia nestas eleições. Outro rosto novo do pleito, o empresário Boris Titov, depositou o voto na região de Krasnodar, ao sul da Rússia.

A última a comparecer às urnas foi a opositora Ksenia Sobchak, única mulher que concorre à presidência. A jornalista, que se mostrou muito confiante e sorridente, chegou ao centro de votação instalado em uma escola musical de Moscou acompanhada pelo marido, o ator Maxim Vitorgan. /EFE

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