Apesar dos avisos, João Paulo II viaja ao Casaquistão

O papa João Paulo II chega neste sábado ao Casaquistão, ex-república soviética na Ásia Central, que está a cerca de duas horas de vôo do Afeganistão.É a primeira etapa da 95ª viagem de seu pontificado e termina com a histórica visita à Armênia, na próxima terça-feira. Uma viagem delicada e perigosa da qual os mais próximos colaboradores do pontífice tentaram, inutilmente, demovê-lo.As medidas de segurança para proteger o santo padre são excepcionais no Casaquistão - onde os automóveis não poderão circular na capital até o dia 25.Normalmente, o avião papal não é escoltado, mas apenas mantido sob vigilância através de radares por parte de todos os Estados que sobrevoa.Desta vez, segundo agências de notícias italianas, o papa e seus acompanhantes serão seguidos por caças militares - de nacionalidades diferentes, dependendo do espaço aéreo que estiver sobrevoando, desde o aeroporto de Ciampino, em Roma, até Astana, capital do Casaquistao."A visita do papa tem um significado não só para o nosso país, mas para o mundo todo", afirmou o bispo de Astana, Tomasz Peta, em entrevista à agência católica Fides.O bispo avalia que, se a viagem não tivesse sido programada, a guerra já teria começado na região.Esta é a 23ª visita que João Paulo II faz a um país com maioria islâmica em 23 anos de pontificado. O primeiro foi a Turquia, em 79, e o último, a Síria, em maio passado.No Casaquistão, a maioria dos 15 milhões de habitantes é muçulmana, os católicos apenas 360 mil.Apesar de os católicos serem minoria no Casaquistão e da grande preocupação da Santa Sé com a expansão do islamismo, principalmente na Ásia e na África, o relacionamento do santo padre com o mundo islâmico é bom."Esse papa fez de tudo para oferecer amizade", declarou o cardeal Achille Silvestrini, um dos mais estreitos colaboradores do pontífice e prefeito da congregaçao para as igrejas orientais, ao comentar a viagem do papa.João Paulo II manteve uma linha de pacifismo durante a Guerra do Golfo em 1991 e, ao condenar os atentados dos Estados Unidos, tem pedido que não seja usada violência contra inocentes.A condenação de uma resposta meramente militar da crise coloca a Santa Sé numa posiçao de imparcialidade que pode ser muito útil para reatar as relações críticas entre Ocidente e Islã.O diálogo com o mundo islâmico tem sido constante e toca argumentos comuns, de princípios gerais, como a existência de um Deus misericordioso, a responsabilidade moral da consciência, o futuro da vida, peregrinação, jejum, oração e a esmola."A partir daí desenvolve-se um espirito de colaboração para o futuro do mundo", prevê o cardeal Silvestrini, que teme a demonização do Islã como um todo, após os atentados de Nova York e Washington.Em sua opinião é importante manter o bom relacionamento e "não jogar os moderados nos braços dos extremistas".A mensagem de paz e não violência que o papa vai levando nessa viagem é bem recebida ao menos por uma parte do mundo islâmico.Demonstração disso é que, neste sábado, ao chegar a Astana, João Paulo II deve ser recebido no aeroporto pelo Gran Mufti, o líder religioso muçulmano do Casaquistão.

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