Menahem KAHANA / AFP
Menahem KAHANA / AFP

Aplicativo eleitoral de Netanyahu pode ter expostos dados de eleitores israelenses

Programador localizou brecha com potencial de expor os nomes e endereços, números de cédulas de identidade e outros dados particulares de todos os eleitores registrados em Israel

Steve Hendrix / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2020 | 15h18

Um aplicativo usado pelo partido do primeiro ministro de IsraelBinyamin Netanyahu, expôs informações pessoais sensíveis dos 6,5 milhões de cidadãos registrados para votarem na eleição presidencial do país, segundo notícias veiculadas na mídia israelense.

O programa de celular, identificado como Elector, tinha por objetivo controlar o alcance dos eleitores do partido e monitorar a eleição de dois de março no país, segundo o jornal Haaretz. Mas, no fim de semana, um programador independente localizou uma brecha no aplicativo que tem potencial para expor os nomes e endereços, números de cédulas de identidade e outros dados particulares de todos os eleitores registrados no país.

Não há indicações imediatas de que algumas dessas informações tenham sido baixadas para computadores antes da falha ser reparada, segundo o jornal. Os desenvolvedores do aplicativo disseram que o erro foi solucionado rapidamente e novas medidas de segurança foram implementadas.

Mas uma pessoa próxima do Likud afirmou que o partido está preparado para a possibilidade de as informações terem vazado, com consequências preocupantes. A ampla lista de eleitores contém detalhes pessoais, inclusive endereços residenciais, de líderes militares, oficiais de segurança, agentes do governo e outros que são de interesse potencial para os inimigos de Israel.

O Likud, como todos os partidos políticos israelenses, recebeu uma cópia do registro de eleitores de todo o país para fins de campanha, com a promessa de não passar as informações para terceiros e expurgar os dados após a eleição. Mas um informante anônimo contatou o Haaretz, chamando a atenção para a vulnerabilidade do aplicativo usado pelo Likud que permitia a qualquer usuário ter acesso ao registro de eleitores. O informante deu detalhes pessoais de figuras importantes constantes da lista para ilustrar o tipo de informações disponíveis.

Netanyahu, que vem lutando para manter o cargo nesta que será a terceira eleição no prazo de um ano, depois de as duas anteriores, em abril e setembro, terem acabado num impasse, vem pedido para seus eleitores baixarem o aplicativo e acrescentarem nomes de potenciais apoiadores, informou o Jerusalem Post.

Especialistas em tecnologia já vinham alertando nas últimas semanas que o aplicativo era um risco à privacidade pois permite aos usuários a acrescentarem novos nomes e dados pessoais de outras pessoas, numa violação das leis de privacidade. Entre os que chamaram atenção para os riscos estava a publicação empresarial em língua inglesa The Marker, que pertence ao Haaretz.

A falha ocorreu uma semana depois que um outro aplicativo de processamento dos votos transformou em caos o caucus do Partido Democrata em Iowa, retardando por dias a divulgação dos resultados completos da votação, o que levou o senador Bernie Sanders, um dos candidatos, a exigir uma “recontagem parcial dos votos”.   /   Tradução de Terezinha Martino

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