REUTERS/Manaure Quintero
REUTERS/Manaure Quintero

Maduro culpa Estados Unidos por apagão na Venezuela

Maduro atribuiu o blecaute, que já dura quase dois dias no país, a um ataque cibernético norte-americano

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2019 | 20h13
Atualizado 09 de março de 2019 | 20h31

CARACAS - Em sua primeira aparição pública desde o começo do apagão que já dura quase dois dias na Venezuela, Nicolás Maduro se pronunciou neste sábado e culpou os Estados Unidos pelo blecaute. 

Na manifestação chavista no centro de Caracas, o presidente disse que o apagão é fruto de uma “guerra elétrica” e que um ataque cibernético norte-americano impediu que a energia fosse restituída na Venezuela. A oposição atribui o blecaute ao sucateamento da rede elétrica do país.

"Às 19h do mesmo dia (do apagão) estava se encaminhando o processo de recuperação quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão", afirmou Nicolás Maduro.

Antes de centenas de seguidores e funcionários públicos se concentrarem nos arredores do palácio presidencial, Maduro, além de culpar os Estados Unidos pelos ataques ao sistema elétrico, pediu aos venezuelanos "máxima cooperação" para que o sistema elétrico se restabeleça nas próximas horas.

"Fui informado de que houve um processo de falha geral do serviço elétrico. A partir daquele segundo tomei as rédeas. Nós fizemos a manobra de recuperação que geralmente é feita. Mas nós vivemos há anos uma guerra elétrica", disse Maduro. "Estamos enfrentando a agressão mais séria do império americano", emendou.

Entre os milhares de apoiadores do governo estavam milicianos e funcionários públicos, vestidos com camisetas vermelhas. Eles se juntaram à marcha anti-imperialista que foi realizada em uma das principais avenidas do centro da capital. 

Protestos

As ruas de Caracas foram tomadas neste sábado, 9, por apoiadores e opositores do governo, em uma nova escalada de tensões. Juan Guaidó, líder da oposição, também esteve presente no ato contra Maduro. Para o autodeclarado presidente interino, as causas do blecaute são a falta de manutenção da rede elétrica e a corrupção no governo Maduro.

Guaidó apareceu nas ruas da capital venezuelana no meio de uma multidão e discursou, em cima de um carro, para seus apoiadores. "Não há nenhuma opção para sair disso que não seja pela mobilização nas ruas", disse o presidente do parlamento venezuelano.

"Dias difíceis estão chegando", gritou Guaidó com um megafone, chamando seus apoiadores para se preparar para lutar contra novas ações do governo para desencorajar as forças da oposição. "Todo as opções estão na mesa".

Guaidó se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro, invocando artigos da Constituição, e foi reconhecido pelos Estados Unidos, Brasil e dezenas de países, que acusam o presidente Nicolás Maduro de ganhar a reeleição em eleições fraudulentas.

Confrontos

Opositores ao regime de Maduro e a polícia venezuelana entraram em confronto na manhã deste sábado. Muitos manifestantes tentaram andar por uma avenida em Caracas, mas foram removidos para a calçada pela polícia em uma tentativa de evitar o motim. De acordo com uma emissora local, uma mulher foi atingida por spray de pimenta.

“A polícia é abusiva mesmo que eles também sofram da mesma calamidade que a gente”, disse a comerciante Lilia Trocel, de 58 anos. “Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida”, declarou em referência à comida que estragou durante o apagão.

“Queremos marchar”, gritava um grupo de seguidores de Guaidó a um contingente policial que bloqueava o acesso à Avenida Victoria, no leste de Caracas.

Deputados de oposição denunciaram em suas contas no Twitter que três motoristas que ajudavam, na madrugada de sábado, a instalar um palco onde Guaidó apareceria foram detidos pela polícia, que os obrigou a desmontar os andaimes.

Segurando uma placa que dizia "SOS Venezuela", a professora María Consuelo Fernández, de 47 anos, explicou com os olhos cheios de lágrimas que esteve nas ruas "porque eu quero um futuro melhor para os meus dois filhos que não merecem o que estamos vivendo".

Apagão

Depois de mais de 20 horas sem energia elétrica, o serviço foi retomado parcialmente em algumas áreas de Caracas e do interior do país, mas outras cidades, como Maracaibo e Barinas, completavam 40 horas sem fornecimento, segundo a Reuters. 

O apagão da Venezuela, que começou na tarde de quinta-feira, afetou inclusive o Estado de Roraima, que precisou recorrer às suas cinco termoelétricas para suprir a energia normalmente procedente da principal hidroelétrica venezuelana de Guri. A extensa interrupção ocorre em um momento em que o país é sacudido por instabilidade política, hiperinflação e recessão econômica. 

Organizações não governamentais denunciaram que a falta de fornecimento de energia e o mal funcionamento, ou a falta de geradores de emergência em hospitais públicos, provocaram, na sexta-feira, as mortes de um recém-nascido e de um adolescente de 15 anos em Caracas.

No meio da crise elétrica, foi registrada neste sábado uma explosão em uma subestação da empresa estatal Siderúrgica do Orinoco Alfredo Maneiro (Sidor). As autoridades não fizeram declarações sobre o incidente.

O metrô de Caracas, que é o principal meio de transporte na capital venezuelana, anunciou neste sábado em sua conta no Twitter que está aguardando a "normalização da energia de alta voltagem necessária para restaurar o serviço". O Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal da Venezuela, também segue sem operar. /(AP, AFP, EFE e Reuters)

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