Chris Delmas/AFP
Chris Delmas/AFP

Apoiadores de Trump bloqueiam rodovias e intimidam eleitores em meio a aumento de tensão nos EUA

As autoridades policiais estão cada vez mais preocupadas com os casos crescentes de brigas e ameaças por causa da eleição

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 09h30

AUSTIN, EUA - Uma caravana de apoiadores do presidente Donald Trump cercou um ônibus da campanha de Joe Biden que ia da cidade texana de San Antonio à capital do estado, Austin, na sexta-feira, levando os democratas a cancelarem dois eventos. 

Situações parecidas, com partidários de Trump acuando ou provocando eleitores de Biden em comícios, aconteceram na Geórgia, Ohio, Pensilvânia, e outros Estados em que a disputa está acirrada. Analistas afirmam que é um sinal de que pode haver violência no dia da eleição nos EUA.

Na noite de sábado, Trump apoiou a ação ao postar um vídeo, que mostrava os carros forçando o ônibus a diminuir a velocidade ou mesmo parar no acostamento. O presidente e candidato à reeleição escreveu na postagem: "Eu amo o Texas".

 

Postagens nas redes sociais de testemunhas e relatos de apoiadores mostravam os veículos na movimentada Interestadual 35. Em uma ocasião, os carros da caravana trumpista pararam na frente do ônibus e tentaram obrigá-lo também a parar no meio da rodovia. 

Katie Naranjo, presidente do Partido Democrata do Condado de Travis, tuitou que os apoiadores de Trump também "correram para o carro de uma pessoa, gritando palavrões e ameaças". O ônibus levava funcionários da campanha, que notificaram as autoridades locais e receberam ajuda para chegar ao seu destino.

Por “cautela”, a campanha cancelou um evento agendado para a tarde de sexta em um estacionamento no centro de Austin. Um evento de campanha no subúrbio de Pflugerville também foi cancelado. De acordo como jornal Texas Tribune, o FBI, a polícia federal americana, está investigando o incidente.

Veículos com bandeiras Trump interromperam o trânsito no domingo na Garden State Parkway em Nova Jersey e provocaram um congestionamento na ponte Mario M. Cuomo, que liga New Jersey a NY. Outro comboio pró-Trump na Virgínia terminou com gritaria e troca de insultos entre manifestantes em Richmond, perto de uma estátua de Robert E. Lee, um general confederado da Guerra Civil dos EUA que era dono de escravos.

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Na Geórgia, um comício para os democratas foi cancelado pouco antes do programado para começar no domingo, com os organizadores preocupados com o que temiam ser uma "grande presença de milícia" atraída por um evento do presidente Trump nas proximidades.

Em Graham, na Carolina do Norte, um comício para levar as pessoas para votar no sábado terminou com a polícia usando spray de pimenta em alguns participantes, incluindo crianças pequenas, e várias prisões. Os organizadores da manifestação chamaram o caso de “supressão eleitoral flagrante.”

“Essas pessoas estão com medo”, disse o reverendo Gregory B. Drumwright, que estava no local. “Há um clima de medo em torno disso.”

E esses foram apenas os incidentes que foram registrados em vídeo. Kristen Clarke, diretora executiva do Comitê de Advogados para Direitos Civis, um grupo de direitos de voto, disse que houve muitos mais. O grupo abriu um processo no mês passado contra funcionários de Graham, a quem acusam de violar os direitos dos manifestantes.

“Estamos muito preocupados com os grupos que se escondem e tentam intimidar os eleitores em comunidades específicas”, disse Clarke. A linha direta de proteção eleitoral de seu grupo recebeu ligações de quase uma dúzia de condados da Flórida na semana passada, disse ela, relatando indivíduos ou grupos que perseguiam os eleitores nas urnas.

“Queremos que os eleitores saibam que esses incidentes esporádicos estão sendo resolvidos e queremos que eles possam votar”, disse Clarke.

As autoridades policiais também estão cada vez mais preocupadas - não apenas com o que já viram, mas também com o que foi ameaçado, especialmente online.

A maioria das ameaças da Internet não migrou para as ruas do país, de acordo com oficiais do Departamento de Segurança Interna ouvidos pelo jornal The New York Times, bem como atividades online de instigadores políticos de direita e esquerda. Mas os policiais temem que as postagens online possam se materializar em atos violentos.

As lojas de armas viram seus estoques se esgotarem com o aumento das vendas. Uma pesquisa com adultos em todo o país, conduzida em outubro pela Fundação da Polícia Nacional e pela Elucd, uma empresa de pesquisa de dados, descobriu que cerca de três quartos dos entrevistados temiam que as eleições gerassem distúrbios civis. Em todo o espectro político, havia uma sensação de que a eleição representava enormes riscos em termos de determinação do futuro do país.

“Estou animado com o fato de mais de 90 milhões de americanos já terem votado, o que, se você fizer as contas, é o equivalente a toda a eleição presidencial de 1996”, Jeh C. Johnson, que atuou como secretário de Segurança Interna durante o governo Obama, disse domingo no programa da CBS "Face the Nation". “Mas não podemos descartar a possibilidade”, acrescentou ele, “de algum problema ou eventos imprevistos, dada a tensão que existe lá fora”./NYT e WP

 

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