Apoio à democracia no Afeganistão está em queda, diz estudo

78% dos afegãos apoiam regime democrático; em 2006, índice era de 86%

Agência Estado e Associated Press,

27 de outubro de 2009 | 14h26

A confiança dos afegãos no governo e no sistema democrático já estava em queda antes mesmo das eleições de agosto, marcadas por denúncias de fraude, mas uma pesquisa divulgada pelo centro de estudos Asia Foundation nesta terça-feira, 27, revela que o apoio à democracia caiu para 78% no país neste ano, ante 84% em 2006.

 

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O centro de pesquisas sediado em San Francisco entrevistou 6.406 afegãos para o estudo, entre junho e julho. "Desde 2006, houve uma constante queda na proporção de consultados que se dizem satisfeitos com o modo como a democracia funciona em seu país", notam os autores do estudo.

 

"Enquanto as respostas indicam uma queda na confiança da democracia como um sistema, o declínio na confiança parece estar mais relacionado com a inabilidade de o sistema atender às expectativas dos cidadãos afegãos", afirmam eles.

 

A sondagem foi realizada antes das eleições presidenciais do dia 20 de agosto, quando houve centenas de denúncias de fraudes. Mais de um milhão de votos foram anulados. Antes das eleições, 65% dos entrevistados acreditavam que as eleições seriam justas.

 

O estudo vem a público no momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, analisa mudanças na estratégia para a ocupação norte-americana de oito anos no país. Obama pode enviar até 40 mil novos soldados.

 

Antes elogiado pelos colegas do Ocidente, o presidente Hamid Karzai foi muito criticado por sua relutância inicial em convocar um segundo turno. Agora, a disputa foi confirmada para o dia 7. Karzai enfrentará o ex-ministro de Relações Exteriores, Abdullah Abdullah.

 

A pesquisa mostrou que 71% dos afegãos têm uma visão positiva do governo nacional. Em 2007, esse índice estava em 80%. No sudoeste afegão, mais afetado pela violência, o apoio ao governo fica em 59%. Em todo o país, mais da metade das pessoas acreditam que a corrupção aumentou no último ano.

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