EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ
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Apoio à democracia no Brasil cai 22 pontos, diz pesquisa

Apenas 3 em cada 10 brasileiros creem que regime é preferível a outra forma de governo, segundo Latinobarómetro 

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2016 | 05h00

O apoio à democracia no Brasil caiu 22 pontos porcentuais no último ano, a maior oscilação registrada na América Latina segundo levantamento apresentado ontem pelo instituto Latinobarómetro.

Questionados se “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”, 32% dos brasileiros se mostraram de acordo. Os demais entrevistados escolheram as opções “em algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível” e “para o povo é igual um regime democrático e um não democrático”.

Seguem o Brasil no ranking dos países com maior queda na preferência pelas instituições democráticas o Chile (-11), o Uruguai (-8), a Venezuela (-7) e a Nicarágua (-7). O Paraguai foi o que registrou maior crescimento no apoio ao regime democrático (+11). Com a variação, o Brasil ficou em penúltimo entre 18 países consultados, só à frente da Guatemala (31% de aprovação). A Venezuela é o lugar em que a aposta nas instituições democráticas como saída preferível é mais alta (77%). A média regional é de 54%.

O levantamento relaciona o dado brasileiro à luta contra a corrupção e à crise política e liga os momentos de maior abalo na confiança nas instituições à instabilidade na economia, seja por fatores internos ou externos.

Em contrapartida, o Brasil é o país que mais rejeita o uso de pulso firme pelo governo, com 42% de aprovação. Na região, o apoio é de 61%. Os brasileiros são também os que mais pregam a obediência às leis como princípio absoluto (75%). A média regional é de 65%. 

O brasileiro é também o que dá nota mais alta aos meios de comunicação. Há 82% que acreditam que fazem um trabalho muito bom ou bom. A média nos países relacionados é de 68%.

Economia. No quesito satisfação com a vida, o Brasil (61%) só aparece diante da Venezuela (58%). Os mais realizados são os dominicanos (88%). Esse porcentual está ligado a outro questionamento, sobre a imagem de progresso. Só 4% dos brasileiros responderam que o país estava avançando, o que os coloca como os mais pessimistas – a Venezuela teve 6%. Em termos de satisfação com a economia, o Brasil aparece em último na lista, com 4%. 

Outro item que chamou a atenção dos pesquisadores sobre a realidade brasileira é que a preocupação com a perda do emprego, a maior da lista (68%, contra 42% da média da América Latina). Segundo o instituto com sede em Santiago, no Chile, que apresentou seus dados na sexta-feira em Buenos Aires e outras capitais, foram aplicadas 20.204 entrevistas pessoais em 18 países entre 15 de maio e 15 de junho, com uma margem de erro de três ponto s porcentuais. 

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